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Meu presente de Natal


O natal chegou e, nós cristãos, reverenciamos o natalício de Jesus e o renascimento da esperança de uma vida melhor! Mas o natal é também tempo de presentearmos nossos entes queridos, tempo do Papai Noel. Uma data esperada pelas crianças que acreditam e confiam no bom velhinho. Lembro-me do nosso natal da infância: além da missa do galo celebrada na noite da véspera do natal e na qual se cumpria a nossa religiosidade, além da ceia regada a guaraná e torta de nozes da mamãe, os sapatinhos debaixo da árvore e a expectativa de receber o presente tão sonhado, tão aguardado e que, por certo, ao amanhecer estaria ali a nos esperar. E, com certeza, aos oito anos de idade, o presente era um brinquedo. Sim, uma bola de futebol, um revólver de espoleta, uma boneca para as meninas, um jogo de dados, de palitos e, pronto, estava realizado nosso natal. Saíamos depois para mostrar aos amiguinhos o que nosso “Papai Noel” nos trouxera e tudo virava uma grande festa. Naquela época nossas expectativas eram pequenas e tudo nos agradava.


Crescemos e nossas pretensões aumentaram. Na adolescência queríamos o tênis da moda, a calça “Levis”, a camiseta “Lacoste” ou o óculos e o relógio que nos diferenciaria dos demais. Época de rebeldia e contestação. Nossos pais (já não se acreditava no bom velhinho) se sacrificavam na tentativa de nos agradar e, as vezes, não era possível nos atender.


Na faculdade já não pensávamos em passar o natal em casa. Queríamos a liberdade de estar na noite especial com os amigos, com a namorada, curtindo uma balada. Rapidamente passávamos pela ceia, recebíamos o presente até com certa indiferença e corríamos para encontrar o grupo.


Formados experimentamos novos natais. A pretensão de presentes era muito maior. Uma joia para a esposa, um carro zero, uma viagem para a praia era o presente que nos dávamos. Sim, o papai Noel éramos nós mesmos. Passávamos na casa dos “velhos” para um abraço, um “feliz natal” e já íamos curtir as festas e reuniões com os amigos.


Vieram os filhos e, por certo tempo, o espirito natalino voltou; não a religiosidade do passado mas a expectativa de darmos o presente das crianças, a reunião com a família agora muito maior, a ceia, a troca de presentes no “amigo secreto” e o espirito fraterno que une nossa gente. Vivemos o natal muito mais como um grande congraçamento familiar e isto valoriza muito nossa existência.


Agora aos 73 anos, na senectude, vivo o natal como um momento especial na vida. Vejo a família aumentando com a chegada pelas minhas mãos de uma sobrinha neta exatamente no dia 25, sinto o carinho de meu filho, nora e netas no abraço que me dão, a alegria e o amor a mim dedicados pela esposa, irmãs e toda a turma e sinto a presença de Deus em cada abraço, em cada beijo em cada ato de amor.


Então agradeço pelo maior presente que estou recebendo neste natal: as minhas mãos firmes que me permitem operar com destreza, o meu raciocínio que me permite tomar as decisões certas nas horas exatas, a minha disposição para o trabalho, o meu amor pelo semelhante e o reconhecimento de minha vida e dedicação que recebo em manifestações de carinho de tantas e tantas pessoas. Agradeço a Deus por esta dádiva e elevo minha alma ao céu com a certeza de que este é meu maior presente de natal!


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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