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Morte súbita em atletas e esportistas

Atualizado: 26 de jun. de 2023



“Morte súbita abortada”, de Damar Hamlin, de 24 anos, da equipe do Buffalo Bills.  (Foto por Kirk Irwin/Getty Images)


Recentemente, casos de morte súbita em atletas e esportistas têm cada vez mais chamando a atenção para os cuidados e prevenção desta condição que pode estar relacionada à atividade física. Temos o exemplo da morte inesperada em meados do ano passado (2022) do empresário e triatleta amador João Paulo Diniz, aos 58 anos. E agora no início de 2023, do jogador de futebol americano (da NFL); Damar Hamlin, de 24 anos, da equipe do Buffalo Bills; que também apresentou um quadro de morte súbita, mas felizmente neste caso teve um desfecho de sucesso com a reversão do quadro, devido ao rápido e efetivo atendimento.


Um dos grandes desafios na área da Cardiologia e Medicina do Esporte diz respeito à morte súbita relacionada com a atividade física. Esse evento é extremamente dramático e trágico, especialmente, quando ocorre em atletas (amadores ou profissionais) que, teoricamente, deveriam ser considerados verdadeiros modelos de saúde.


A morte súbita relacionada ao exercício é considerada quando o evento fatal ocorre durante atividade física e até uma hora após o seu término. 3

Um levantamento realizado pelo Comitê Olímpico Internacional, entre 1966 e 2004, contabilizou mais de mil casos de morte súbita durante competições esportivas, em atletas com menos de 35 anos de idade.


A causa mais comum de morte súbita em jovens com menos de 35 anos é a Cardiomiopatia Hipertrófica. Uma doença congênita e sua principal característica é o aumento da espessura de uma das paredes do coração, havendo um desarranjo das fibras musculares cardíacas. Dessa forma, pode ocorrer arritmias malignas, levando a perda súbita do nível de consciência e morte súbita.


Principais causas de morte súbita em atletas.

Idade < 35anos

Cardiomiopatia hipertrófica

Idade ≥ 35anos

Doença arterial coronária (doença do infarto agudo do miocárdio)

Adaptado: Herz Sports and Sudden Cardiac Death in Athletes.Can It be Prevented by screening. Ghorayeb e cols.62. 1.



Os indivíduos com Cardiomiopatia Hipertrófica podem ser totalmente assintomáticos ou apresentar tonteiras, perda do nível de consciência (especialmente relacionadas com o exercício) falta de ar anormal, palpitações e dor no peito.


O diagnóstico desta doença é baseado no ecocardiograma, embora o eletrocardiograma possa também apresentar alterações da patologia. 3

Como na maioria das vezes a morte súbita é a consequência de uma arritmia cardíaca. Esta pode ser revertida com a utilização precoce de um desfibrilador elétrico e manobras de ressuscitação. Daí a importância de que em todos os locais onde se pratiquem atividades esportivas, não só nos estádios, devam existir esses equipamentos e equipes treinadas para sua utilização até a chegada do socorro avançado (a esta ação dá-se o nome de ressuscitação cardiopulmonar).


O caso do atleta da NF; Damar Hamlin, foi devido a um fenômeno chamado commotio cordis. 


Commotio cordis é um fenômeno no qual um impacto súbito e contundente no tórax causa morte súbita na ausência de dano cardíaco: há a perturbação elétrica (arritmia), e com isso acontece a parada cardíaca e o coração não consegue ejetar sangue para o cérebro e o corpo. Esta é uma causa muito rara de morte súbita e o tratamento consiste nos cuidados de ressuscitação cardiopulmonar com a utilização do desfibrilador, como foi feito com o jogador.


No intuito de prevenir a ocorrência da morte súbita em atletas, surgiu a avaliação clínica pré-participação (APP) para atividades físico-esportivas. Que consiste em uma avaliação médica sistemática, uniformizada, capaz de abranger a ampla população de esportistas e atletas antes de sua liberação para treinamento físico.


A sociedade brasileira de cardiologia e a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte dividem os indivíduos a serem avaliados nos seguintes grupos:


–  Grupo esportista: adultos que praticam atividade física de maneira regular, de moderada a alta intensidade, competindo eventualmente, porém sem vínculo profissional com o esporte.  O ideal é que todos deste grupo sejam submetidos, obrigatoriamente, a um exame médico que permita a detecção de fatores de risco, sinais e sintomas sugestivos de doenças cardiovasculares, pulmonares, metabólicas ou do aparelho locomotor. 1


– Grupo atletas: indivíduos que praticam atividade física de maneira regular e profissional, competindo sistematicamente, com vínculo profissional com o esporte por meio de clubes e/ou patrocinadores. Sempre na busca da superação de limites e recordes, submetendo-se frequentemente a cargas de treinamento de altíssima intensidade, que os colocam sob estresse físico e psíquico intenso, com consequências frequentemente danosas.


– E um terceiro grupo contemplando crianças e adolescentes e ainda para-atletas ou atletas portadores de necessidades especiais 1.


Nesta avaliação médica devem ser considerados vários aspectos do exercício, como intensidade, frequência, volume de treinamento, etc.


É de fundamental importância que atletas e treinadores tenham o bom senso de buscar avaliação médica especializada para prevenirem tal fatalidade. E com relação ao salvamento destes atletas que sofrem a morte súbita, cabe a conscientização dos responsáveis por eventos esportivos ou pelos locais de treinamento, implementar desfibriladores elétricos e capacitar a comunidade presente para ressuscitação cardiopulmonar.


Texto: Leonardo Oliva Gonini. Cardiologista e Ecocardiografista; membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia e Departamento de Imagem Cardiovascular. Preceptor da Residência Médica de Cardiologia e Ecocardiografia no HRPP. Atende na Clinica Crdiosafety em Presidente Venceslau.


Bibliografia:

1 – Ghorayeb N., Costa R.V.C., Daher D.J., Oliveira Filho J.A., Oliveira M.A.B. et al. Diretriz em Cardiologia do Esporte e do Exercício da Sociedade Brasileira de Cardiologia e da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte. Arq Bras Cardiol. 2013;100(1Supl.2):1-41

2 – Taylor AJ, Roban KM, Virmani R. Sudden cardiac death associated with isolated congenital coronary artery anomalies. JAAC.

3 –  Aurélio Brazão M., ARTIGO DE REVISÃO Cardiomiopatia hipertrófica, atividade física e morte súbita., Rev Bras Med Esporte _ 2002, Vol. 8, Nº 1 – Jan/Fev,


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