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Não deixe o velho entrar


Nesta semana que passou recebi por uma mídia social um texto que tinha como título a frase “não deixe o velho entrar” e isto me trouxe a oportunidade de pensar sobre o envelhecimento e, também, como torna-lo menos atroz. Todos nós, indistintamente, nascemos, crescemos, amadurecemos, envelhecemos e um dia a morte, única certeza da existência, vem nos buscar. Obvio que cada um tem seu caminho: alguns morrem cedo, outros tem a vida ceifada por algum acontecimento súbito e trágico como por exemplo um desastre e outros vivem mais tempo e chegam à velhice. No passado, na primeira metade do século vinte, a expectativa de vida era até os 55 anos e, assim, na quinta década da existência éramos considerados idosos; morrer aos 60 anos era considerado, até certo ponto, natural. Hoje sabemos que a longevidade é algo concreto e viver até os oitenta é comum. Os avanços da medicina, a melhoria da vida urbana, os conhecimentos que angariamos através dos tempos, os cuidados com a higiene, alimentação e atividades nos fizeram mais sadios e portanto mais longevos. E isto é maravilhoso pois nos permite, vivendo mais, assistir o crescimento e as conquistas de nossos filhos, o nascimento e o desenvolvimento de nossos netos e, por que não, a chegada de nossos bisnetos. No entanto se este fato é insofismável por outro lado vemos que há um enorme contingente de idosos que sofrem as amarguras da idade provecta. São depressivos, reumáticos, ansiosos, indiferentes, hipocondríacos e parecem estar vivendo no compasso de espera para a morte. São idosos que deixaram o “velho” entrar em suas vidas.


Então este texto se dirige a estas pessoas que estão apenas assistindo a vida passar. E não serve apenas para os senis mas para todos cujo desânimo os deixam velhos.


Em primeiro lugar temos que amar nossa existência. As adversidades existem e são muitas, algumas incalculáveis, mas também existem os bons momentos e temos que aprender a valoriza-los. Muito bom ver o neto entrando na faculdade, muito bom receber um elogio do amigo, ótimo levantar pela manhã e ver o sol entrando por sua janela a lhe dar bom dia. Importante manter uma atividade. Continue trabalhando se puder mesmo que seja com pequenos feitos. Se interesse pela vida das outras pessoas e tenha o seu coração aberto para as diferenças. Pratique a caridade pois ela nos traz alegrias ao coração e nos mostra que somos uteis. Exercite sua mente lendo bons livros, fazendo palavras cruzadas e ouvindo músicas. Faça caminhadas sorvendo o ar puro da manhã ou da tarde, ouvindo os pássaros nas árvores e os sons da cidade. Procure ter uma noite repousante e durma bem. Se interesse pelas pessoas e tenha com elas uma relação de amizade e carinho. Seja humilde e aceite as dores e as limitações que a idade lhe impôs procurando fazer delas estímulos para vencer as dificuldades. Seja magnânimo e aceite as colocações dos mais jovens mesmo que as considere absurdas porque sabes que só o passar dos anos vão nos ensinar tudo sobre a vida. Acima de tudo estimule as pessoas a vencerem suas dificuldades e vibre com todos quando conseguirem uma conquista. Finalmente tenha fé em Deus e tire um tempo para falar com Ele através de suas orações agradecendo sempre ao Pai porque recebemos muito mais bênçãos do que de fato merecemos.


Enfim, meu amigo, viva com intensidade cada momento de sua vida pois ele é único e nunca deixe o “velho” entrar. Você ficará eternamente guardado na memória e no coração das pessoas como alguém que não passou apenas pela vida mas viveu!


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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