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Nossos valores


Meu avô era um homem extremamente sério e trabalhador. Médico em Campinas, teve 13 filhos e, através de sua faina diária, deu um diploma a cada um deles. Entre seus filhos surgiram médicos, arquiteto, químicos, professoras e todos, sem exceção, amavam e mantinham, como até hoje, a família unida. Morei por 3 anos com meus avós quando me preparava para cursar a faculdade de medicina e assisti a dedicação, o carinho e o respeito que os filhos tinham para com os pais e para com todos os irmãos, indistintamente. Aos sábados e domingos, antes do almoço, todos os que moravam na cidade compareciam à casa dos velhos para um dedo de prosa e, principalmente, para estreitarem laços de amor e carinho uns para com os outros. Assim acontecia também em minha casa e era mamãe com sua dedicação, resiliência e profundo amor o grande elo de ligação entre seus 6 filhos, elo que continua até os dias de hoje transcorridos mais de 70 anos. A família é tudo de bom e importante em nossas vidas. Manter os laços fraternos, o amor incondicional, o respeito e o carinho entre os irmãos nos tem permitido vencer as dificuldades que enfrentamos e escrever a nossa história . No momento em que há um movimento sub-reptício pela desagregação, em que se tem dado mais valor às coisas materiais do que à estrutura de nosso lar, considero de fundamental importância a manutenção do espirito familiar, o respeito aos mais velhos e a indissolúvel união entre os irmãos. No meu entender família é tudo em nossa existência.


Quando menino estudei na escola pública e me recordo com nitidez o respeito que tínhamos para com os professores, para com a escola e, principalmente, o sentimento de patriotismo que nutríamos pela nossa nação. Todos os dias antes de iniciarmos nossas aulas, perfilados no pátio da escola, hasteávamos a Bandeira Nacional, grande símbolo da Pátria, e entoávamos o Hino Nacional com profundo respeito e,s este ato cívico, nos motivava a estudar muito porque sentíamos que nossa Pátria estava acima de todos nós. Ninguém sapateava sobre nossa bandeira, pelo contrário, a presença dela no ambiente nos fazia ficar em pé, em respeitoso silêncio. Amar o Brasil sempre e entregar a própria existência pela nossa terra era o sentimento presente em nossos corações e nossas vidas.


Minha mãezinha era muito religiosa! Devota de Santo Antônio ensinou aos filhos a fé em Deus e mostrou que sem o Pai Eterno nada somos. Quando jovens acabamos nos afastando um pouco da religião porque temos a sensação de que somos imortais e autossuficientes. Ledo engano! O transcorrer da vida nos mostra de forma clara que Deus existe. Quantas vezes na minha luta diária tive contato íntimo com a morte, com o sofrimento das pessoas e, como médico, me senti incapaz de resolver aquele grave problema e quantas vezes, contrito, ao apelar pela mão, pelo auxilio de Deus, fui atendido e senti na alma, no mais profundo do meu ser, o milagre acontecer. Hoje septuagenário sinto a presença do Pai em cada chorinho de criança que trago ao mundo pelas minhas mãos, em cada lágrima derramada pela cura de um ente querido, em cada vitória que a vida nos dá e, também, em cada momento de tristeza pela partida de um cliente, de um amigo...Em cada alvorecer louvo a Deus pela minha vida, pela minha saúde e clamo a Ele suas bênçãos para que eu possa no dia que se inicia atender e tratar aqueles que me buscam com confiança e transmitir a eles o amor que Deus nos proporciona em nossas vidas.


Perguntaram-me quais seriam meus valores. A família, a pátria, o trabalho e Deus, com certeza, são os principais e, com certeza, ditam o norte de minha existência!


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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