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O mundo é uma aldeia


Visitamos, há alguns anos, Portugal, uma terra maravilhosa, nossa pátria mãe, que mereceria ser vista por todos os brasileiros. Conhecer o país lusitano e seu povo é vivenciar nossa história e conhecer hábitos e costumes que foram trazidos para cá pelas primeiras caravelas. Dentro de um ônibus confortável, com uma guia brasileira, partimos de Lisboa para o norte e visitamos Fátima e o santuário que marcou profundamente nossa religiosidade e nossa fé; ali em um espaço extraordinário assistimos a uma missa emocionante com a presença de peregrinos de todas as partes do mundo. Visitamos também Évora e suas muralhas, Óbidos, Barcelos, Coimbra e seus estudantes com as vestes características (em Coimbra a biblioteca nacional é extasiante) e a serra da estrela com seu queijo e a neve naquela época do ano. Ah! Não poderia esquecer a cidade do Porto banhada, como a grande maioria das cidades portuguesas, por um rio, o rio Douro; passear de barco pelo Douro e depois comer um bacalhau com batatas “ao murro” em uma cantina da beira é algo inesquecível e a vila Nova de Gaia na outra margem do rio nos apresenta as caves com o tradicional “vinho do porto”, néctar dos deuses. Um passeio maravilhoso regado a vinho verde geladinho e muito bacalhau... Em Lisboa conhecemos a foz do Tejo de onde partiu Cabral para descobrir nossa terra e lá está o monumento aos navegantes sinal do poderio lusitano de então; na cidade baixa saboreamos os pastéis de Belém e o de Santa Clara e tivemos uma noitada de “fado” a melancólica e tradicional musica lusitana! E aconteceu em Lisboa o inesperado. Fomos visitar a área da Expo 98 onde se localiza o “Oceanário de Lisboa” um aquário com mais de 7 milhões de litros de água salgada, com mais de 8000 animais de cerca de 500 espécies aberto ao público. Após a visita que, evidentemente, demorou algumas horas, resolvemos almoçar ali mesmo no “Parque das Nações” onde existem vários restaurantes. Escolhemos um bastante acolhedor e já nos instalamos para saborear o bacalhau e o vinho verde. Garçons muito gentis nos receberam e notamos, pelo sotaque, que eram brasileiros. Comemos fartamente e depois da refeição e da sobremesa “toucinho do céu”, um doce com amêndoas, nos dirigimos a um dos garçons para conversar.


“Você é brasileiro? De que parte do Brasil?” Perguntamos. “Sou sim, lá do interior do estado de São Paulo, de uma pequenina cidade que talvez o senhor nem conheça chamada Santo Anastácio”, foi a resposta. “Nossa! Conheço muito! Eu sou de Presidente Venceslau”! “Ah! O rapaz sorriu: nasci há 28 anos lá em Venceslau nas mãos do doutor Tacinho, o senhor conhece? ” Meu Deus! Coração acelerado, emoção à flor da pele: “o doutor Tacinho sou eu!”


Abraço apertado e lágrimas nos olhos. Nos colocamos à disposição para dar notícias à família que ainda estava em Santo Anastácio. Despedida calorosa. Momento inesquecível! E a certeza de que o mundo é realmente uma aldeia!


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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