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O sentimento da esperança


Um dos gigantes da alma é o sentimento da esperança. Habitando o nosso íntimo este sentimento é um dos responsáveis pelo crescimento da espécie humana, pela sua agregação e pelas suas conquistas através do tempo. Sem dúvida uma das características do “Homo Sapiens” que o diferencia das outras espécies e o faz soberano é a esperança... Esperança de vencer as feras, de providenciar alimentos para sua prole, de ocupar novos espaços o fez se juntar a outros de sua espécie, lhe ensinou que poderia, em grupo, vencer todas as adversidades, lhe motivou a descobrir e a vencer o medo do fogo, a construir sua habitação, a ultrapassar a era da pedra e chegar ,hoje, milhões de anos depois, à era da informática e da conquista espacial.


Este sentimento presente em todos nós, em alguns com mais ou menos intensidade, mas presente em todos, nos leva ao sonho, seu componente fundamental e é mola propulsora de nossas atividades, de nosso trabalho, de nossos cuidados com nossa saúde e nossa vida! O trabalhador tem esperança de conseguir, através do labor, ganhar mais, criar seus filhos, dar a eles vida melhor, conseguir sua casa própria, seu primeiro carro e ter, na velhice, condições para viver com tranquilidade; o estudante tem esperança de, através do estudo, chegar à faculdade, se formar e exercer a profissão de sua escolha e escrever uma história de luta e conquistas. A gestante tem a esperança de ter uma gestação e parto abençoados e ver seu filho nascer com saúde e perfeição e o idoso espera que a saúde se prolongue em sua vida e, mesmo sabendo que não somos eternos, que o encontro com a morte seja o mais tarde possível e que ela o leve de forma amena e indolor. Assim é e esta característica tipifica o ser humano.


Quando perdemos a esperança vamos ficar doentes...A falta deste sentimento nos leva à depressão, a vida fica cinza e não temos mais objetivos, nossos sonhos desaparecem ou são terríveis, verdadeiros pesadelos, e podem, em casos extremos, nos levar a desistir de viver. No mundo atual os suicídios cresceram de forma exponencial e a maioria deles ocorrem pela falta de esperança. Há também os mortos vivos, aqueles que sem esperança, buscam nas drogas o lenitivo para seu sofrimento e, com o tempo, viram verdadeiros “zumbis” vagando pelas ruas e pela existência sem viver. Há aqueles que consideram que a vida não vale nada e se transformam em facínoras e criminosos como forma de aplacar um pouco a angústia de seus corações. Enfim, sem esperança, a sociedade e a vida humana deixam de ter qualquer valor.


Vivemos neste século 21 momentos que exigem de nós muita luta, muita coragem, muita esperança. A desagregação da família a olhos vistos, a inversão de valores com a valorização do ter sobre o ser, o fim do respeito pelo próximo, a política do quanto pior melhor, o aparecimento de uma pandemia que ceifou milhões de vidas em todo o mundo e que demonstra que não terminará tão cedo, a pusilanimidade dos governos, as guerras fratricidas em inúmeros países da África e dos Balcãs, a exploração do homem pelo homem, a prostituição alarmante e a promiscuidade intensa fazendo surgir doenças sexualmente transmissíveis espalhadas entre os jovens, nossos filhos, tudo exige de nós um tempo de reflexão e mudança de condutas.


A meu ver só existe um único caminho para que a esperança volte a preencher nossos corações. Ele está presente, para nós cristãos, na palavra de Deus estabelecida na Bíblia sagrada. A leitura e o conhecimento da palavra nos faz transbordar de esperança e fé e ela nos mostra que tudo se pode Naquele que nos fortalece. Assim, só pela nossa divulgação e seguimento da palavra, pela nossa ação manifesta podemos voltar a ter esperança de um mundo e uma vida melhor!


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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