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O tabagismo e as mulheres


Apesar de todos os avanços que foram obtidos no conhecimento científico sobre os malefícios trazidos pelo cigarro o tabagismo é considerado pela OMS a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Estima-se que um terço da população mundial adulta, ou seja, cerca de 1 bilhão e 200 milhões de pessoas sejam fumantes, entre elas 200 milhões de mulheres. Sabemos também que, de uma maneira ou de outra, todos os fumantes vão sofrer alguma perda em sua saúde mesmo que inicialmente não tenham nenhum sintoma e os óbitos em decorrência do tabagismo que hoje chegam a 5 milhões por ano ou 10.000 por dia tendem a aumentar de maneira exponencial. Então parar de fumar é a única medida eficaz para modificar a história natural das doenças relacionadas ao tabagismo e isto está ao alcance da pessoa e deve ser encarado como ponto fundamental do tratamento acima dos exames e de qualquer remédio. É óbvio, também, que o tabagismo é considerado uma doença crônica da mesma categoria da diabete, hipertensão e dislipidemias.


As mulheres começaram a fumar publicamente a partir da segunda metade do século passado e rapidamente, na luta pela emancipação feminina, se igualaram aos homens no vicio do tabaco. No entanto nelas a associação mulher - cigarro ou tabaco - hormônios femininos se mostrou explosiva. De fato ao lado dos eventos cardiovasculares como o infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral e embolia pulmonar, que são mais frequentes nas mulheres após a menopausa quando o estrogênio já não as protege mais, as taxas de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e câncer de pulmão nelas são alarmantes. Além disto, não podemos nos esquecer de que, embora haja controvérsias, pesquisas demonstram uma relação importante entre tabagismo e câncer de mama, osteoporose, câncer de bexiga e tromboses venosas nas fumantes que usam anticoncepcionais. Na gestação então está provado que as tabagistas têm maior incidência de gravidez tubária, aborto espontâneo, parto prematuro, descolamento da placenta, bebês de baixo peso, hipodesenvolvimento pulmonar do recém-nato e até parada respiratória súbita do lactente.


Há, portanto, no tratamento do tabagismo a necessidade premente de se parar de fumar. Mas isto não é nada fácil. A abstinência do cigarro, a exemplo de outros vícios, traz angustias, instabilidades físicas - emocionais e enormes sofrimentos. Por isso, embora existam medicamentos modernos como reposição de nicotina, bupropiona,, clonidina, vareniclina, nortriptilina que agem tentando resolver a doença o melhor mesmo é a conscientização e o conhecimento que podem afastar principalmente as jovens deste vício.


Neste momento em que nos unimos na luta pela emancipação plena de todas as nossas mulheres poderíamos incluir em nossas atividades a orientação às mesmas sobre o terrível mal que representa o hábito do tabagismo.


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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