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Operação policial investiga suspeita de cárcere privado e maus-tratos em clínicas de reabilitação

Mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça foram cumpridos em quatro estabelecimentos particulares em Pirapozinho (SP) e Tarabai (SP). Um porrete foi encontrado. - Com G1 Presidente Prudente

Operação da Polícia Civil cumpriu mandados de busca e apreensão em clínicas de reabilitação, em Pirapozinho (SP) e em Tarabai (SP) — Foto: Polícia Civil


Uma operação da Polícia Civil, em conjunto com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPE-SP), com a Vigilância Sanitária e com a Assistência Social, cumpriu mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Fórum da Comarca de Pirapozinho (SP), em quatro clínicas particulares de reabilitação de usuários de drogas e álcool.


O inquérito policial investiga a suspeita de crimes de cárcere privado e maus-tratos nos estabelecimentos particulares, que ficam em Pirapozinho e Tarabai (SP) e atendem, atualmente, em torno de 200 pacientes de diferentes estados brasileiros.

Em entrevista ao g1, na tarde desta segunda-feira (17), o delegado Cristiano Macedo Engel disse que as mensalidades dos estabelecimentos variam de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil e explicou como ocorreram as constatações. "São duas clínicas em Pirapozinho e duas em Tarabai. Nós tivemos a mesma reclamação de Pirapozinho nas clínicas de Tarabai, de que tinham indivíduos que fugiam das clínicas, iam direto para a delegacia e falavam: 'Eu não quero voltar mais para lá, porque eu sou agredido, eu quero ir embora e eles não deixam, então, eu estou em cárcere privado'. Então, nós resolvemos pedir busca e apreensão para ver se a gente conseguia identificar e provar esses fatos, que estavam sendo alegados pelos internos", pontuou Engel ao g1. Segundo o delegado, um porrete foi apreendido pelos policiais e os pacientes, que informaram onde ele estava, alegaram que apanhavam com o objeto. "Um indivíduo, que estava dormindo, nós levamos para fazer teste de sangue, para saber o que ele tinha tomado. A Vigilância Sanitária olhou todos os prontuários dos pacientes para ver se estava tudo em ordem e, a princípio, estava em ordem. Tinham internos que falavam: 'Eu quero ir embora, mas minha família não vem me buscar'. Mas a gente ligava para os parentes e os parentes falavam que 'aí na clínica eles estão bem cuidados'", argumentou ao g1. Os quatro estabelecimentos, que não tiveram os nomes divulgados pela Polícia Civil, não foram interditados e seguem funcionando normalmente.

Segundo Engel, os pacientes que informaram que sofriam maus-tratos ou algum tipo de violência foram levados à delegacia para prestar depoimento à Polícia Civil e informar o dia e o autor das supostas agressões.

Ao todo, foram ouvidos 15 internos nas diligências. Além do porrete, também foram apreendidos aparelhos celulares. Desaparecido encontrado sem vida No dia 7 de abril, um homem, de 32 anos, paciente de uma clínica de reabilitação, foi encontrado sem vida na zona rural de Pirapozinho.

O delegado Cristiano Macedo Engel explicou ao g1 que a Polícia Civil constatou que este homem, junto com outro amigo, teria fugido da clínica "alegando que sofriam maus-tratos". "Um dos colegas [do homem que morreu] foi localizado em um posto [de combustíveis]. O pessoal da clínica pegou este interno no posto e o trouxe de volta para a clínica. O pessoal da clínica visualizou ele [o homem que caiu no buraco e morreu] às margens de uma estrada e gritaram, para pegar ele, e ele correu para o meio do mato, só que era um buraco, e ele caiu. A princípio, nós achamos que essa queda dele no buraco foi na tentativa de fuga dos indivíduos que estavam perseguindo-o. Aí seria um homicídio culposo", pontuou Engel sobre as investigações. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML), em Presidente Prudente (SP), para a realização de exame necroscópico. A causa da morte foi apontada como traumatismo cranioencefálico.

O funcionário, suspeito de ter gritado com o paciente fugitivo, seria indiciado por homicídio culposo e, de acordo com Engel, era egresso da mesma clínica de reabilitação. "Eles trocaram esse funcionário de clínica e ninguém acha mais o funcionário. Porque eles pegam internos e, depois que a pessoa se recupera, eles põem para trabalhar de funcionário. E esses funcionários, pelo que eu entendi, às vezes têm recaídas. Nós estamos desconfiados [de] que esse funcionário está na linha do trem [ponto de concentração de usuários de drogas], em Presidente Prudente. Nós estamos com dificuldade de localizá-lo", concluiu ao g1.

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