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Patriotismo


Comemoramos há alguns dias atrás o dia da revolução constitucionalista de 1932, feriado de 9 de Julho no estado de São Paulo, que é aproveitado pelos paulistas que sequer sabem porque motivo a data é festejada. Aliás, em termos de conhecimentos sobre nossa história, nós os brasileiros, não sabemos quase nada e falar sobre a guerra de canudos, sobre o tenentismo, sobre a guerra dos farrapos, sobre a inconfidência mineira é assunto para poucos, pouquíssimos!


Mas, apenas em rápidas pinceladas, a revolução constitucionalista de 1932 colocou frente a frente o estado de São Paulo contra o resto do Brasil quando os paulistas se uniram para exigir do governo provisório que nos dirigia a elaboração de uma constituição, lei magna de uma nação, que pudesse orientar nossos destinos. A guerra civil que durou cerca de alguns meses e ceifou a vida de mais de seiscentos paulistas e quase duas mil de seus oponentes impingiu uma derrota a São Paulo que capitulou diante das forças federativas mas trouxe no seu bojo a realização da constituição em 1934 que foi uma constituição com tintas democráticas, ou seja, perdemos a batalha mas ganhamos nossos objetivos. Também foi uma atitude de patriotismo que praticamente não se viu mais no País. Em quase todas as cidades de São Paulo encontramos praças com o nome de “9 de Julho”, avenidas chamadas “23 de Maio” e assim por diante, todas se referindo a esta revolução. Aqui em Presidente Venceslau a “Tenente Osvaldo Barbosa” no coração da cidade, contém um obelisco alusivo a esta guerra.


O fato desencadeador da revolução ocorreu no dia 23 de maio quando a população paulistana insuflada pelos políticos tentou invadir a sede do partido PRP e foi recebida a bala. Ali morreram Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, ditos estudantes, um deles com 14 anos, e surgiu o MMDC usando as iniciais deste homens para a organização e insuflação da revolução. Pronto! O estopim da batalha foi aceso e em 9 de Julho foi declarada a guerra.


Durante 3 meses a população paulista demonstrou seu patriotismo e, de forma inusitada, lutou com destemor, mesmo em evidente desvantagem, contra as forças federativas. Vasto material sobre isto encontramos em centenas de livros e na própria internet e pode ser visto por todos os interessados. Os paulistas venderam caro sua derrota e São Paulo, que já era, graças ao café, o estado mais rico da nação se pontificou cada vez mais e hoje, para júbilo de nós paulistas, é a “locomotiva” do País.


Mas o que chama a atenção de quem busca nossa história é o patriotismo que vicejava no coração e nas atitudes dos brasileiros. Patriotismo que não vemos mais! Quando menino, na escola, antes de se iniciar as aulas, perfilados, cantávamos o Hino Nacional e, sempre de pé, aprendemos a saudar as bandeiras do País, de São Paulo e do Município, símbolos maiores de nosso chão abençoado. Aprendemos que uma nação só será totalmente liberta se seus filhos a colocarem acima de tudo abaixo apenas de Deus. Hoje, infelizmente, não vemos nos nossos jovens este sentimento de amor à sua terra: o hino não recebe sequer a atenção devida, ninguém respeita nossas bandeiras e nossa terra virou apenas um lugar comum, sem importância. Uma pena porque o patriotismo nos leva aos mais puros sentimentos de amor fraterno, une nossas vidas em grandes objetivos e nos faz um povo que luta, cresce e lega às futuras gerações as mais profundas convicções de liberdade e paz que são fundamentais para nossa existência.


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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