top of page
Buscar

Pela 1ª vez, atmosfera de planeta rochoso é detectada fora do Sistema Solar

Com Galileu

Foto: Universidade de Berna


Astrônomos usando o telescópio espacial James Webb podem ter detectado uma atmosfera ao redor do exoplaneta rochoso "55 Cancri-e", a 41 anos-luz da Terra. Esta é a primeira vez que cientistas acham indícios atmosféricos em um mundo rochoso fora do nosso Sistema Solar.


A descoberta foi registrada nesta quarta-feira (8) na revista Nature. Os cientistas encontraram gases ao redor do planeta e uma estrutura interior muito quente, provavelmente não habitável. O "55 Cancri-e", também chamado de "Janssen", orbita sua estrela a uma distância muito próxima, de quase 2,3 milhão de quilômetros, completando uma órbita em menos de 18 horas.


Com um diâmetro quase o dobro do da Terra e uma densidade ligeiramente maior, o planeta é classificado como uma superterra: maior que a Terra, menor que Netuno e semelhante em composição aos planetas rochosos do Sistema Solar.

Foto: NASA


Os estudos com Webb complementaram investigações anteriores realizadas com o telescópio CHEOPS, da Universidade de Berna. O James Webb usou comprimentos de onda infravermelhos, indicando que a superterra "55 Cancri-e" tem uma atmosfera contendo dióxido de carbono (CO2) ou monóxido de carbono (CO).

Foto: NASA


Devido à sua proximidade com a estrela, a superterra é muito quente e provavelmente tem uma superfície de rocha derretida. Os pesquisadores acreditam que os gases da atmosfera podem ter borbulhado a partir do magma.


Apesar do "55 Cancri-e" ser muito quente para ser habitável, ele fornece informações valiosas sobre como os planetas rochosos evoluem e ajuda a entender as condições que possibilitam a existência de uma atmosfera rica em gases, fundamental para a existência de vida.


Além disso, o estudo sugere que planetas rochosos mais frios, potencialmente habitáveis, podem também ter atmosferas, o que é promissor para as capacidades do James Webb em caracterizá-los em órbita de estrelas semelhantes ao Sol.


Lado diurno e noturno

Embora Webb não consiga capturar uma imagem direta do planeta, ele pode detectar mudanças sutis na luz do sistema à medida que o planeta orbita a estrela. Os cientistas inclusive mediram a luz infravermelha emitida pela superterra com a Câmera de Infravermelho Próximo do telescópio (NIRCam) e o Instrumento de Infravermelho Médio (MIRI).


Por causa da órbita próxima, é provável que o "55 Cancri-e" esteja em uma rotação sincronizada, com um lado permanentemente exposto à estrela e o outro sempre na escuridão. Se o planeta não tivesse atmosfera ou tivesse coberto por um fino véu de rocha vaporizada, seu lado diurno teria cerca de 2,2 mil ºC.


A equipe acredita que a atmosfera primária do planeta já foi perdida devido à alta temperatura e intensa radiação de sua estrela. Mas a atmosfera secundária está sendo continuamente restabelecida por um oceano de magma, que contém não apenas cristais e rocha líquida, mas também uma quantidade significativa de gás dissolvido. "Ultimamente, queremos entender quais condições tornam possível para um planeta rochoso sustentar uma atmosfera rica em gases: o ingrediente chave para um planeta habitável”, diz Hu.

Comments


bottom of page