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Pesquisadores trabalham na criação de 'bicho-da-seda do Paraná'

Universidades buscam aprimorar mercado da seda, com foco em áreas como medicina e cosmética - Com GE

Paraná concentra mais de 85% da produção nacional de casulos de bichos-da-seda — Foto: UEM / Divulgação


Um “bicho-da-seda do Paraná” deve estar chegando nos próximos anos ao mercado. O exemplar paranaense do inseto está sendo desenvolvido nos laboratórios da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O principal desafio para os pesquisadores envolvidos é manter a qualidade do fio de seda brasileiro, considerado o melhor do mundo.


As informações são da professora Cristianne Cordeiro Nascimento, coordenadora do Projeto Seda Brasil - O fio que transforma, realizado na UEL com financiamento do Fundo Paraná, da Secretaria Estadual da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. “Na seda, somos os melhores do mundo. O fio produzido no Brasil é superior em comprimento, peso, resistência e brancura”, explica a professora.


Ela comenta que o projeto desenvolvido na UEL visa aprimorar o mercado da seda no Estado - que concentra mais de 85% da produção nacional de casulos de bichos-da-seda - e trazer soluções para o manejo da cultura nas propriedades. A criação do “bicho do Paraná” está sendo realizada por meio dos setores que analisam o melhoramento genético do bicho-da-seda.


Não é à toa que a produção se concentra no Paraná. O clima das principais regiões produtoras do Estado - Norte, Noroeste, Centro e Centro Oeste - é considerado ideal para a criação do bicho-da-seda, que inclui o plantio de amoreiras, cujas folhas são o único alimento da larva.


Em outra frente de pesquisa na UEL, em fase adiantada, está o desenvolvimento de uma anestesia para aplicação no bicho-da-seda na fase final do processo produtivo, em que o ciclo da lagarta é interrompido, já com patente autorizada pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). Segundo Cristianne, no mercado exterior esse procedimento está relacionado ao bem-estar animal. O processo é baseado na inalação de óleo de cravo, garantindo que o bicho esteja completamente anestesiado e não sofra.


Outros dois projetos, com andamento avançado, e com utilização de biotecnologia aplicada, são voltados às áreas de medicina e cosmética, tendo em vista que o fio da seda é composto por duas proteínas: sericina e fibroína. Estão em desenvolvimento um biofilme com alto teor de regeneração e cicatrização, para pacientes com queimaduras, e um sérum rejuvenescedor.


“Já há vários produtos de fora do Brasil com esse ativo, mas nossa fórmula será a primeira com base no bicho-da-seda brasileiro, com o poder de regeneração que tem a nossa seda”, acrescenta Cristianne.


Os pesquisadores da instituição estão atuando ainda no sequenciamento das doenças existentes nas criações do Paraná e em propostas para melhorar o ambiente destinado à criação do bicho-da-seda e para o enfrentamento dos desafios do clima. No total, em torno de 50 pessoas estão envolvidas no projeto, sendo 15 pesquisadores em média.


O projeto também pretende lançar o Quintas da Seda, que consistirá num microcosmo com toda a cadeia da produção em um único espaço, em Londrina, assim como entrar no metaverso, com visitas e treinamentos virtuais. “Por enquanto, vendemos a commodity. O foco do projeto é atuar em várias frentes e agregar valor à produção no Estado”, completa.

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