top of page
Buscar

Professora troca sala de aula por curso de álbuns de fotografia e fatura R$ 500 mil

Daia Casagrande viu na confecção uma oportunidade de mudar de profissão - Fonte: Terra

Foto: Arquivo pessoal


Daia Casagrande sempre gostou de artesanato e, por ser professora, de alguma forma, estava conectada à arte. Em 2018, ela aprendeu a fazer álbuns de fotografia, os scrapbooks. Dois anos depois, o hobby se tornou profissão, e ela deixou a escola convencional para abrir um ateliê, passando a ensinar outras mulheres a faturar com os personalizados. Em 2023, a empreendedora faturou R$ 500 mil. 


Os scrapbooks são álbuns de recortes personalizados e têm como objetivo contar histórias por meio de fotografias, colagens, textos e itens que remetem a algo ou a um período importante. Eles entraram na vida da empresária, que é de Santo André (SP), durante o nascimento de seu segundo filho, João Gabriel, quando teve depressão pós-parto. 


Daia é formada em pedagogia e psicopedagogia, mas, na época que o pequeno nasceu, cursava faculdade de Arquitetura e Urbanismo, pois tentava mudar de área. 


“Eu já tinha tido depressão no meu primeiro filho [Davi] e eu falei: ‘Não posso me render a isso’. Eu sempre gostei muito de fazer artesanato. Então, embora eu fosse professora, eu sempre estava envolvida nesse mundo, não com o papel, mas com EVA, tecido, crochê, ponto cruz, tricô, MDF, enfim”, explica. 


Ao relatar para sua médica o que estava acontecendo, a professora ouviu que deveria procurar algo que gostasse de fazer para auxiliá-la no tratamento, como uma arteterapia. Não o que ela já estava acostumada a fazer, mas algo novo, que a desafiasse. Na internet, encontrou vários conteúdos sobre scrapbook e chegou até a fazer um curso. 


Como ela reforça, tudo começou despretensiosamente, para que pudesse se distrair e ainda ter recordação dos filhos, mas não demorou muito para que os pedidos começassem a chegar via redes sociais, onde publicava suas produções. 

“Eu pensei: consigo ter uma renda extra, como eu tô com o nenem novinho em casa, vou trabalhar só meio período, a outra metade do período eu não fico ociosa em casa, eu faço alguma coisa, né? Uma fonte de renda extra que consegue sustentar o meu hobby”, relembra.


Bombou

Quando voltou a trabalhar, após a licença-maternidade, ficou um ano e meio atuando na escola no período da manhã. À tarde, ela fazia os scrapbooks encomendados, em uma mesinha pequena na cozinha de sua casa. Nesse período, Daia ainda cuidava dos filhos, da casa e do marido, que estava doente. 


“Só que as pessoas começaram a querer aprender comigo. Essa primeira loja que eu fui, me pediram para fazer um teste para dar aula. O intuito era ensinar para criança, só que eu tive muitas adultas querendo o meu curso, e aí foi. Comecei a dar aulas presenciais nas lojas e ateliês aqui de São Paulo, depois fui convidada para dar aula fora de São Paulo”, conta. 


No início de 2020, o marido da professora sugeriu a locação de uma sala comercial para dar suas aulas, pois a cozinha já estava pequena. Então, ela precisou escolher entre a escola e o ateliê. “O que a arte estava me rendendo era três, quatro vezes mais do que o meu salário da escola. Se não desse certo, eu voltaria de onde parei. Aluguei uma salinha comercial de 38 m², fiz um ateliê super bonitinho”, relembra. E foi assim que nasceu o Studio DaiaCasagrande. 


A pandemia chegou, e as aulas pararam. O desespero bateu, e, a partir disso, surgiu a necessidade de se reinventar. Com as pessoas em casa e com mais tempo ocioso, Daia passou a oferecer cursos gratuitos pelo Instagram. A audiência de seus cursos também a levou a criar a versão paga. Resultado: ela bombou.


Em agosto do mesmo ano, precisou ampliar o estúdio e a equipe. Em 2021, o espaço precisou ser maior, e ela alugou uma casa para comportar o ateliê, com 300 m². Lá, ficam as salas para as aulas, seu ateliê e a loja para venda das produções. 


Lucrativo

O 'carro-chefe' de Daia são os cursos, tanto presenciais quanto online. Embora esteja longe da escola tradicional, a paixão de Deia sempre foi lecionar, e fica claro que ela faz isso com excelência, tanto que, no último ano, seu faturamento foi de R$ 500 mil. 


Ela chega a ter alunas de fora do País. “Temos alunas espalhadas no mundo inteiro, que não falam o meu idioma, e eu não sei falar outra língua. Elas colocam para traduzir”, pontua. Seus cursos chegaram em todos os lugares… até em alto-mar. No meio de fevereiro, ela conseguiu um contrato para dar aulas para um cruzeiro de sete dias. Em abril, ela também receberá um prêmio de empreendedor destaque, na Suíça. 


“Eu não imaginei ter essa repercussão. Sempre sonhamos em crescer, em fazer dar certo, que é o que mais queremos quando temos um negócio. Esse era o intuito do meu coração. Se não tivermos mesmo um foco daquilo que quer, dos sonhos, dos objetivos, das metas, é fácil dispersar. Se você foca naquilo que quer, no seu sonho, ele floresce”, finaliza.

Comments


bottom of page