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Rei do açaí: ex-executivo recomeçou como camelô e se tornou empresário

Com O Globo

Fabio Vaz se tornou empresário depois de trabalhar como ambulante no Mercadão de Madureira — Foto: Divulgação


Parecia o fim do mundo. Não era. Era o início de um novo universo que se apresentava a Fábio Vaz, morador da Pavuna, que, após ser demitido de um emprego formal, em que tinha uma remuneração satisfatória para exercer um cargo executivo, se viu perdido, sem rumo, até que, dois anos depois de gastar toda a sua rescisão e trabalhar apenas fazendo bicos, reinventou-se e virou o "rei do açaí".


Não foi fácil começar o negócio com apenas R$ 500 de investimento. Nem, de repente, se perceber camelô após ter vivido tempos de patrão. Nem o maior dos otimistas poderia acreditar que a barraca onde tudo começou, no Mercadão de Madureira, se transformaria na bem-sucedida marca Lokos por Açaí. Atualmente, o empreendimento conta com duas fábricas, uma na região, em Colégio, e outra em Campo Grande, na Zona Oeste, e 35 funcionários. Nesta caminhada, houve luta, determinação e a certeza de que é preciso olhar para a frente para sair do abismo e construir um novo tempo.


Aos 49 anos, Vaz conquistou o que sequer ousou sonhar.


— Trabalhava como supervisor geral de vendas industriais de uma multinacional do setor de gás. Eu tinha muitos funcionários sob o meu guarda-chuva, um excelente salário, carro da empresa à minha disposição, até que a empresa foi vendida para a principal concorrente, e eu fui demitido após oito anos de trabalho com carteira assinada. Saí de lá, em 2006, com uma bolada na conta e cometi o erro de manter o padrão de vida elevado que tinha na empresa. Só que estava desempregado. Em pouco mais de dois anos, o dinheiro acabou. Foi aí que, em 2009, quando vivia de “bicos”, minha irmã me falou de uma barraquinha que estava para alugar no Mercadão de Madureira. Naquele momento, tudo o que eu tinha eram R$ 500 no banco. Mesmo assim, aluguei este espaço por mil reais, sem depósito, para pagar o primeiro aluguel só no final do mês. Fiquei animado, mas ao mesmo tempo me questionei: “vou virar camelô?”. Dentro de mim, havia muita resistência a me ver nesta situação. Mas minha mulher, Bianca, falou: “Vamos pegar essa barraquinha. Vai dar certo”. Crescemos com muita luta, e ultrapassei dez vezes a renda que eu tinha no passado. Com o açaí, vivo uma realidade que nunca pensei em viver. Foi trabalhoso. Houve muitos dias de choro, mas a gente sempre acreditou que o amanhã seria melhor — diz.


Dias de choro, dias de luta e dias de glória.


— No Mercadão, o trabalho começava às 8h e terminava às 18h, quando o quiosque fechava. Em seguida, eu e a minha mulher íamos fazer o serviço de entregas. Muitas vezes, o expediente do delivery terminava às 23h. Nesse tempo, o negócio ainda era pequeno, batíamos o açaí para servir em copos para os nossos clientes. Depois, passamos a bater o açaí para vender em maior quantidade, em caixas, para mercados, lanchonetes e restaurantes. Nessa época, sonhávamos conseguir vender cem caixas de açaí por dia. Atualmente, se eu vender cem caixas, eu quebro, vou à falência. Preciso comercializar pelo menos 500 caixas ao dia. Em média, vendo 200 mil caixas por ano. Até 2026, quero bater 500 mil. O negócio deu certo porque unimos o trabalho pesado com o meu conhecimento em vendas. A demanda foi aumentando tanto que a barraca ficou pequena e saímos de lá, mas não abandonamos o varejo. Tem fila na porta das fábricas para comprar o nosso açaí. Fomentamos o empreendedorismo — analisa.


No futuro, Vaz planeja criar uma franquia para a sua marca:


— Eu me alegro ao saber que famílias estão colocando comida dentro de casa porque vendem o nosso produto. Tenho um projeto de franquia em que nós, da Lokos, vamos montar a estrutura para que o franqueado possa começar a trabalhar, já que muita gente não tem dinheiro para investir. A ideia é a gente arcar com o custo inicial e parcelar para o franqueado em suaves prestações. Não quero ficar rico em cima disso, mas, de alguma forma, ajudar pessoas a empreender. Deus me deu uma bênção, e eu quero dividir as minhas conquistas com outras pessoas.


Ele procura retribuir o seu crescimento profissional apoiando ações sociais.


— No Piscinão, faço doações para o projeto “Limpe a praia e ganhe um copo de açaí”, que acontece em alguns fins de semana com o objetivo de manter o espaço sem sujeira. Nós também distribuímos açaí para moradores de rua, por meio do Instituto Anjinho Feliz. Para os que, como eu, se desesperaram diante do desemprego, digo que é possível encontrar um outro caminho, que pode vir a ser muito melhor. Todo mundo é capaz de se reinventar e conquistar seus sonhos — conclui.

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