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Síndrome Alcoólica Fetal


Não há dúvidas de que a Obstetrícia avançou muito nos últimos 30 anos. A Ultrassonografia obstétrica fez com que a qualidade da assistência Pre Natal avançasse bastante e diagnósticos precoces puderam minorar a incidência de patologias graves e portanto diminuir substancialmente a morbimortalidade materna e fetal. Assim, como exemplo, podemos citar a doença trofoblástica gestacional, mais conhecida como gravidez molar, que diagnosticada no início permite uma resolução rápida e definitiva. Novos procedimentos no seguimento pre natal, novos exames e novas condutas, que ocorrem atualmente, demonstram de forma cabal que progredimos muito nesta área da medicina.


Mas ainda não chegamos lá! E por incrível que pareça doenças que eram comuns no passado e que foram combatidas com êxito estão voltando a fazer parte do dia a dia do atendimento das gestantes. Cito, por exemplo, a sífilis que voltou a nos preocupar bastante nos últimos anos já que a doença tem transmissão vertical via placentária e a sífilis congênita é considerada grave para o recém nato. Também o papiloma vírus que traz na região vulvovaginal a presença de verrugas grassa hoje entre as gestantes; duas doenças de transmissão sexual que demonstram a falta de cuidados e a multiplicidade de parceiros do mundo moderno.


Como obstetra, portanto, não poderia deixar de enaltecer a atitude do Rotary, neste momento, de apoiar e divulgar junto à comunidade a importância da luta contra a Síndrome Alcoólica Fetal (SAF) que acontece com as gestantes que inadvertidamente ingerem bebida alcoólica durante a gravidez.


Há muito tempo ouvimos falar das ações nocivas que o álcool determina na gestação, no entanto, consumir álcool é muito comum em grande parcela das gestantes modernas. A Síndrome Alcoólica Fetal é um conjunto de alterações que ocorrem no feto durante sua formação intra útero que determinam defeitos na face, baixo peso ao nascer, alterações no desenvolvimento psicomotor, dificuldades de socialização, distúrbios comportamentais e atraso no desenvolvimento cognitivo entre outros. O pior é que uma vez instalada a Síndrome não tem cura e o que se pode fazer é procurar mitigar alguns dos sintomas decorrentes da patologia. Mais do que isto: não importa a quantidade de álcool que a gestante beba, ou seja, a tolerância é zero para qualquer quantidade ingerida.


Em 2014 lei municipal estabelecia que deveriam ser afixados em locais que vendem bebida alcoólica cartazes informativos sobre a Síndrome Alcoólica Fetal e suas consequências, iniciativa do Rotary a exemplo do que ocorria em outras cidades do interior de São Paulo.


Tenho uma ligação de admiração, gratidão e respeito para com o Rotary de nossa cidade! Meu pai foi rotariano durante muitos anos, quero crer, bom rotariano, porque adorava o seu clube. Mais do que isto, o Rotary é o grande e total responsável pela instalação da Associação Venceslauense de Combate ao Câncer, pela construção do espaço físico do setor de pediatria de nossa Santa Casa sob a liderança do doutor Regis Jorge, da instalação, na área da cultura, do conservatório musical municipal e tantos outros feitos que enumerá-los corre-se o risco de faltar com algum. A grandeza deste clube de serviço está indelevelmente marcada nos anais de nossa história.


Agora, mais uma vez, assistimos a outra atividade de fundamental importância para a comunidade e para nosso cidadão do futuro. O Rotary se faz presente promovendo a campanha de divulgação e conscientização da Síndrome Alcoólica Fetal em nosso meio. Vamos juntos nos associar a esta meritória atitude. Ao Rotary as nossas homenagens.


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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