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"Sim à vida, não ao aborto", diz arcebispo de Aparecida no Dia de Nossa Senhora

Na missa em homenagem, arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, faz exortação contra a interrupção da gravidez, pela preservação da natureza e à retomada da paz na Ucrânia e no Oriente Médio - CORREIO BRAZILIENSE

Dom Orlando, entre assistentes, reforça posição da Igreja no momento em que a Câmara reage ao STF contra descriminalização do aborto até a 12ª semana - (crédito: Thiago Leon/Santuário Nacional de Aparecida) O arcebispo de Aparecida, dom Orlando Brandes, aproveitou a celebração pelo dia de Nossa Senhora Aparecida para fazer um apelo contra o aborto. Na principal missa do dia, realizada no santuário, disse que uma das vocações do povo brasileiro é a vida e, por isso, o país deve lutar pelos direitos do nascituro.


"Nossa Senhora Aparecida é a senhora da vida. Por isso, dizemos sim à vida, não ao aborto. Sim à vida e não ao desmatamento, não a essa atitude de depredação da mãe-terra", exortou o sacerdote, sendo ovacionado pelos fiéis ao se manifestar contra a interrupção da gravidez.


A cobrança do arcebispo reforça a posição da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que, desde o início deste ano, tem se manifestado contra "iniciativas do governo de flexibilizar o aborto". O debate sobre o tema tomou força na segunda quinzena de setembro, quando o Supremo Tribunal Federal incluiu na pauta de julgamentos da Corte a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação. Antes de se aposentar, a ministra Rosa Weber votou a favor, mas foi suspenso pelo presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, que não deu prazo para a ação voltar à pauta do Plenário.


Na ocasião do voto da ministra aposentada, a CNBB anunciou que "jamais aceitaremos quaisquer iniciativas que pretendam apoiar e promover o aborto". Também criticou o STF por "exercer uma função que não lhe cabe" e por "atropelar o Congresso" com uma pauta "antidemocrática". No início da semana, o secretário-geral da instituição, dom Ricardo Hoepers, esteve no Congresso e pediu aprovação urgente do Estatuto do Nascituro.


Ainda na missa, o arcebispo de Aparecida reforçou a defesa que a Igreja Católica faz da "integralidade, inviolabilidade e dignidade da vida humana, desde a sua concepção até a morte natural".


A homilia deste ano enfatizou temas caros à Igreja Católica. No ano passado, Jair Bolsonaro acompanhou as missas no santuário, mas a celebração foi marcada pela arruaça promovida por apoiadores do ex-presidente. Dom Orlando disse, então, que o Brasil tinha como missão vencer "o dragão do ódio e o da mentira".


O arcebispo também foi sutil ao dizer que o ex-presidente deveria "ter uma identidade religiosa: ou somos evangélicos ou somos católicos". A crítica foi em função de Bolsonaro ter participado da inauguração de um templo evangélico, onde fez um discurso político-eleitoral, no mesmo dia em que compareceu ao santuário de Aparecida. Sobre esse episódio, a CNBB emitiu nota condenando a "exploração da fé e da religião como caminho para angariar votos no segundo turno".


Igualdade social


Na celebração, dom Orlando frisou, também, que o brasileiro tem "vocação" para a justiça e que, por meio dela, o país alcançará a igualdade social. O arcebispo exortou os fieis a se engajarem no combate à fome e a se colocarem contra o narcotráfico. "Se houver justiça, o narcotráfico não vai dominar e a violência também não, porque é a justiça que vai vencer todos esses males", destacou.


Ao final da missa — que reuniu aproximadamente 35 mil pessoas —, dom Orlando pediu orações pela paz. Lembrou o conflito do Leste Europeu, com a agressão da Rússia à Ucrânia, e do Oriente Médio, desencadeado depois que terroristas do Hamas atacaram Israel. "Rezem, por favor, comigo, esta oração da paz na Ucrânia, na Terra Santa, nas periferias de nossas cidades e no mundo inteiro", clamou.


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