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Sobre livros


Neste mês de Junho li dois livros que valeram muito a pena. Participo do clube de leitura da Academia Venceslauense de Letras grupo que congrega pessoas que fazem da leitura um hábito de suas vidas. O primeiro livro foi indicado pelo acadêmico doutor Aldir Soriano, um intelectual com magnifico trabalho sobre religiosidade, poliglota, advogado, palestrante e um dos fundadores de nossa Academia. Aldir indicou o livro “No Fundo do Oceano os Animais Invisíveis” da escritora, editora e professora de escrita Anita Deak nascida em Belo Horizonte em 1983 e finalista do prêmio Sesc de literatura em 2014 com o livro “Mate-me quando quiser”. Com linguagem contemporânea e envolvente a autora nos mostra com incrível realidade um momento importante da história recente de nosso país que foi a ditadura militar com os acontecimentos que marcaram aquela época como a luta em prol de uma democracia, o envolvimento de intelectuais, estudantes, jornalistas, religiosos nos movimentos populares, as prisões, as torturas e a morte de muitos brasileiros, alguns inocentes e sonhadores, que só queriam a liberdade, o fim da censura, a possibilidade de escolher livremente os seus governantes, enfim , a conquista do país com justiça social que buscamos até os dias de hoje. O protagonista Pedro Naves oriundo de família humilde tem a esperança de dias melhores e acaba se envolvendo com a guerrilha urbana e, finalmente, com a guerrilha do Araguaia extremamente bem delineada por Anita.


A escritora narra sua estória através de uma construção densa, complexa e busca integrar o humano à natureza e o sonho à realidade. Um excelente livro.


Indicado pela professora Tereza Amorim, docente de nossa faculdade, o livro “Torto Arado” de Itamar Vieira Junior, considerado talvez o melhor livro do ano, nos conta a saga de uma família de camponeses escravizados pelos proprietários de grandes latifúndios no interior de nosso país, escravidão que veio desde a época da escravatura e que, em alguns rincões, permanecem até os dias de hoje. Através das irmãs Belonisia e Bibiana Itamar nos envolve na luta dos negros, dos quilombolas, das chagas trazidas pela fome, pelo alcoolismo e pelo abandono que perpetuam a existência de milhares de brasileiros em situação de terrível e vergonhosa miséria. Um país com uma das maiores populações de negros do mundo (só perde para a Nigéria) com um racismo estrutural tão profundo que exige ações radicais e definitivas para nos transformar na nação que queremos ter e que possa nos orgulhar. O sincretismo religioso da África também se faz presente e nos mostra como a fé importa muito para nos dar força, coragem e resistência. O livro nos envolve de tal maneira que não conseguimos parar de lê-lo e nos dá tantas lições de vida que ao termina-lo sentimos que, sim, precisamos mudar. Magnífico.


Somos muito pobres no que diz respeito à leitura. A imensa maioria dos brasileiros sequer lê um livro por ano. Assim permanecemos alienados com relação às vicissitudes e lutas de nossa gente. Cabe àqueles que tem a visão da importância do livro a ação de disseminá-los pois “quem semeia livros faz o povo pensar e desta forma muda o país”.


A Academia Venceslauense de Letras se encontra com este mister. Já publicou sua segunda coletânea com escritores de Venceslau e da região e está com as portas abertas a todos que queiram participar. Você é nosso convidado.


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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