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Um sonho quase possível

Atualizado: 20 de jun.



Márcia e Juvenal Genovesi eram um casal bem sucedido. Ela uma premiada cientista no ramo da Microbiologia Celular. A primeira gravidez nesse momento de suas vidas tornou-se  mais importante que o recebimento do “Oscar da Ciência”.


As primeiras dores foram sucedidas pelo nascimento; o parto transcorreu às mil maravilhas, sem nenhuma intercorrência. Ato contínuo, souberam pelo pediatra, Dr Régis que a criança, um menino, nascera com Síndrome de Down. Impossível não se abalar com essa notícia. Sentiram-se sem chão porque ignorantes no assunto. Propuseram-se a buscar informações sobre a doença e Márcia envolveria sua equipe de pesquisadores na busca por um medicamento que possibilitasse a melhoria ou a cura dos sintomas da síndrome de Down.

Desde muito cedo, com poucos dias, Junior começa a frequentar a APAE submetendo-se aos cuidados de excelente equipe multidisciplinar. Quando completou 6 anos, Márcia tendo conseguido criar uma pílula, resultado de suas pesquisas, se dispôs a testá-la em seu filho acompanhando os resultados.


Como num sonho, viu seu menino aprender a ler em poucos dias, desenvolver habilidades matemáticas e fisicamente tornar-se um atleta, apaixonado por capoeira.


E assim se deu. Inteligência, habilidades, bons costumes, enfim, um menino de ouro. Mas, após ter se formado no Ensino Superior, algumas falhas começaram a surgir: esquecimento, alheamento, falta de habilidade física, desânimo. Era o preço que a vida e o destino cobravam. Junior opta por abandonar o tratamento e aceitar o que o destino lhe reservara, afinal, “nada acontece por acaso, sempre haverá de ter uma razão”.


Essa é a essência de “Um sonho quase possível” do escritor Edmar Cunha de Castro. Linguagem simples, direta e envolvente. É uma obra para se ler de um só fôlego; o leitor é enredado pelo enredo de tal forma que é difícil parar. Precisamos saber o que vai acontecer.


Questionamos a lógica do título. Nos perguntamos se é realidade ou apenas ficção. Enfim, uma leitura que faz o leitor, principalmente as mulheres, colocarem-se no lugar dos personagens.


Li em algum lugar que todas as mulheres sonham, desde muito cedo, com o filho ou filha que possam ter. Primeiro esse sonho remete às bonecas com que brincamos na infância.


Quando adultas idealizamos nosso bebê com bases mais concretas. Quando engravidamos, então, o sonho se aprimora e ganha importância. Mas, nem sempre o nosso bebê real corresponde à nossa idealização, o que normalmente é preenchido pelo amor materno que explode, inexplicavelmente, logo após o nascimento de nosso rebento.


E o que fazer, quando nosso filho, por questões mais delicadas, não corresponde ao nosso devaneio, conforme a obra em tela? Faz-se necessário sublimar a frustração, buscar motivos no âmago de nossa alma, desfibrar o coração e ativar nossa capacidade de amar incondicionalmente e, na medida do possível atender às necessidades de nosso filho ou filha, proporcionando-lhes dedicação, carinho, ternura, amor, proteção e apoio.  E, comumente, mães de crianças especiais são ainda mais especiais; dizem que Deus escolhe as melhores pessoas para receberem um bebê especial. “Um sonho quase possível”, uma história verossímil e plausível, que merece  ser lida e apreciada por quem ama literatura.

‘Crianças são como borboletas ao vento. Algumas voam rápido, algumas voam pausadamente, mas todas voam do seu melhor jeito. Cada uma é diferente, cada uma é linda e cada uma é especial”.


(*) Aldora Maia Veríssimo – Presidente da AVL

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