Fraudes financeiras crescem 10% com novas regras do BC em 2026
Fraudes financeiras no Brasil cresceram 10,26% no primeiro semestre de 2026, com mais de 9 milhões de registros. Novo levantamento da Quod aponta que a Resolução 501 do Banco Central turbinou a detecção de golpes, mas celular e Pix seguem como principais canais de ataque.
O número de indícios de fraudes financeiras no Brasil cresceu 10,26% nos seis primeiros meses de 2026, totalizando mais de 9 milhões de ocorrências entre casos suspeitos e confirmados. No segundo semestre de 2025, foram 8,26 milhões de registros. O aumento reflete principalmente o fortalecimento dos mecanismos de detecção após a implementação da Resolução 501 do Banco Central (BC), segundo levantamento da Quod, datatech especializada em inteligência de dados para o mercado de crédito.
Como a Resolução 501 do BC turbinou a detecção de fraudes
A Resolução 501 do Banco Central ampliou o compartilhamento de informações entre instituições financeiras para combater golpes. O estudo da Quod foi elaborado com dados do Registro Unificado de Fraudes (Rufra), uma base colaborativa criada pela empresa para reunir informações sobre indícios e ocorrências de fraudes compartilhadas por instituições financeiras e empresas.
O sistema centraliza dados de segurança para identificar padrões de atuação de criminosos, acompanhar o histórico de vítimas e fraudadores e permitir o bloqueio preventivo de operações suspeitas. Além de apoiar estratégias de prevenção, o Rufra atende às exigências da Resolução 501, que tornou mais robusta a troca de informações entre as instituições.
Celular e Pix concentram a maior parte dos golpes
O ambiente digital continua concentrando a maior parte das fraudes financeiras no país. O celular foi utilizado em 78% dos casos registrados, tornando-se o principal canal explorado pelos criminosos. As contas correntes apareceram em 94% dos indícios, enquanto o Pix foi o meio de pagamento utilizado em 85% das fraudes.
A engenharia social, baseada na manipulação psicológica das vítimas para obter informações ou convencê-las a realizar transferências, respondeu por 40% dos registros, o equivalente a mais de 3,6 milhões de ocorrências no semestre.
Perfil das vítimas: jovens e reincidentes
Pessoas entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas. A faixa de 35 a 49 anos responde por 29,98% dos casos. Homens correspondem a 51% dos registros e mulheres, a 48%. A maioria das vítimas (58%) recebe até dois salários mínimos.
O levantamento também identificou elevado índice de reincidência. Das 3,1 milhões de pessoas que sofreram golpes no semestre, aproximadamente 799 mil, um quarto do total, foram vítimas duas ou mais vezes.
O que diz a Quod sobre o aumento dos registros
Segundo Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod, o aumento de 10% no volume de fraudes reflete o amadurecimento das defesas do mercado financeiro. "Com a consolidação da Resolução 501 do Banco Central, as instituições passaram a compartilhar informações de forma muito mais ativa via base Rufra, detectando e trazendo à tona tentativas de golpes que antes ficavam subnotificadas no sistema", afirma.
A empresa recomenda que consumidores reforcem os cuidados nas operações financeiras, principalmente pelo celular. "Nunca tome decisões financeiras apressadas durante o expediente de trabalho, período em que os fraudadores aproveitam a distração das vítimas. Não clique em links recebidos por mensagens e não empreste sua conta bancária para receber ou transferir valores de terceiros", orienta Coelho.
Perguntas Frequentes sobre fraudes financeiras e a Resolução 501 do BC
O que é a Resolução 501 do Banco Central?
É uma norma que ampliou o compartilhamento de informações entre instituições financeiras para combater fraudes, tornando a troca de dados mais robusta e obrigatória via bases como o Rufra.
O que é o Rufra?
O Registro Unificado de Fraudes (Rufra) é uma base colaborativa criada pela Quod para reunir informações sobre indícios e ocorrências de fraudes compartilhadas por instituições financeiras e empresas.
Por que os registros de fraudes aumentaram com as novas regras?
O aumento não representa apenas expansão da atividade criminosa, mas também maior capacidade de detecção: golpes que antes ficavam subnotificados passaram a ser registrados na base única de inteligência.
Quais os principais canais de fraude?
O celular foi utilizado em 78% dos casos, e o Pix foi o meio de pagamento em 85% das fraudes. As contas correntes apareceram em 94% dos indícios.
Quem são as principais vítimas de fraudes financeiras?
Jovens entre 18 e 34 anos representam 49,06% das vítimas. A maioria (58%) recebe até dois salários mínimos. Homens são 51% e mulheres, 48%.
Como se proteger de fraudes financeiras?
Evite decisões financeiras apressadas durante o expediente, não clique em links recebidos por mensagens e não empreste sua conta bancária para receber ou transferir valores de terceiros, segundo a Quod.