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Rede elétrica resiliente exige investimento de concessionárias

ResumoA rede elétrica brasileira exige investimento substancial das concessionárias para alcançar resiliência contra ventos fortes, conforme avaliação de especialistas da UFRJ. Medidas como fiação subterrânea e manutenção preventiva são apontadas como soluções viáveis. A implementação dessas ações depende de capital significativo e planejamento técnico para reduzir interrupções no fornecimento.

Especialistas da UFRJ avaliam que tornar a rede elétrica resiliente a ventos fortes é possível, mas exige alto investimento das concessionárias. Fiação subterrânea e manutenção estão entre as medidas apontadas.

Fábio Drummond
Fábio Drummond Repórter de segurança e justiça · 31 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Rede elétrica resiliente exige investimento de concessionárias

Rede elétrica mais resiliente requer investimento de concessionárias

Tornar a rede elétrica mais resiliente a fortes ventos, como os que atingiram São Paulo e Rio de Janeiro na quarta-feira (29), é possível, mas tem um custo elevado que precisa ser arcado pelas concessionárias de energia. A avaliação é do professor Edson Watanabe, do Programa de Engenharia Elétrica da Coppe/UFRJ. Fiação subterrânea e poda de árvores na época certa estão entre as medidas necessárias para reduzir a vulnerabilidade do fornecimento.

A resposta direta: para reduzir o impacto de ventos fortes, especialistas recomendam que as concessionárias de energia realizem manutenção preventiva e, em áreas críticas, invistam em fiação subterrânea. O custo dessa infraestrutura é alto, mas a responsabilidade é das empresas, que precisam se preparar para eventos climáticos extremos.

O que dizem os especialistas sobre a rede elétrica

O professor Edson Watanabe, da Coppe/UFRJ, é enfático: "Tem que ter manutenção. Ou enterra ou faz manutenção. No geral, não se faz nem um, nem outro. Ou se faz pouco". A declaração reflete a realidade observada após o vendaval que deixou milhares sem energia no Rio de Janeiro.

Watanabe, que mora no Grajaú, Zona Norte do Rio, continuava sem energia até a tarde de quinta-feira (30). Em sua rua, a rede é aérea, sustentada por postes, o que a torna mais vulnerável a quedas de árvores e intempéries. "Quem recebe (energia) por linha aérea tem mais problemas", resume.

Fiação subterrânea: custo e benefício

O professor estima que o custo de cabos subterrâneos equivale a sete ou dez vezes o da linha aérea. A vantagem é a maior qualidade e a menor exposição a ventos. No entanto, ele pondera que a manutenção também é mais cara.

"Seria bom se houvesse um pouco mais de atividade do lado das concessionárias. Se ficar parado, como a gente anda, vai ser ainda pior", afirma Watanabe.

O outro lado: quando a subterrânea não é a solução

Leandro Torres, especialista em desastres e professor da Escola Politécnica da UFRJ, tem visão distinta. Para ele, o risco de falta de energia, por si só, não justifica substituir toda a rede aérea por subterrânea. "É uma decisão estética, urbanística. Mas não pesa muito no caso de falta de luz".

Torres destaca que o investimento em estrutura subterrânea é elevado e pode ser economicamente inviável. Além disso, cabos subterrâneos, apesar da proteção contra o vento, enfrentam problemas com inundações e furtos.

Planos de contingência: o que as empresas devem fazer

Segundo Torres, o que ocorreu no Rio foi um evento de emergência. As instituições precisam de planos de contingência que listem ameaças potenciais, como vendaval, inundação e até ataques cibernéticos. "Ou seja, fazer uma listagem dessas ameaças", explica.

O segundo passo é identificar as causas que podem originar essas ameaças, ou seja, os pontos fracos na operação. Uma análise de risco prioriza os pontos que demandam mais atenção. Em seguida, busca-se medidas para evitar falhas ou reduzir sua probabilidade.

Torres enfatiza que instituições de diferentes naturezas, de escolas a concessionárias de energia, precisam se organizar para cenários climáticos adversos. Ele alerta para o El Niño previsto para este ano, que pode trazer eventos ainda mais severos.

"Elas devem analisar, por hipótese, se acontecer um tornado aqui, o que eu faria? Se acontecer uma inundação até um metro ou dois metros de lâmina, o que deveria ser feito? E se for uma onda de calor extremo?", questiona.

A visão de quem ficou sem energia

A empresária Ana Paula Brito, moradora de Vila Isabel, Zona Norte do Rio, está sem luz desde as 17h de quarta-feira. Ela abriu vários protocolos na Light, mas não há previsão de retorno. "Estamos preocupados, porque a geladeira já está descongelando, os alimentos estão vencendo e não tem nenhuma previsão. É um transtorno muito grande ficar sem energia".

Rico Vilarouca, designer que trabalha em casa com a esposa, mora em Santa Teresa. Ele espera o retorno da energia e da internet, situação que se repete quando chove forte e venta no bairro. "A gente não está preparado para esse volume de vento na cidade", lamenta.

O papel das concessionárias

A Light e a Enel, que atuam no Rio de Janeiro, região metropolitana e interior, divulgaram que estão com equipes mobilizadas. Apesar disso, milhares de residências e estabelecimentos seguiam sem energia na quinta-feira.

A responsabilidade por investimentos em resiliência é das concessionárias, como aponta Watanabe. A manutenção preventiva e a modernização da infraestrutura são caminhos para reduzir o impacto de eventos climáticos.

Para Torres, as empresas não podem esperar que um evento negativo ocorra para agir. É preciso recursos previamente alocados e pessoal treinado, além de um plano de comunicação com clientes.

Perguntas Frequentes

Quem é responsável pelos investimentos na rede elétrica?

As concessionárias de energia são responsáveis pelos custos de manutenção e modernização da rede, incluindo a possível implantação de fiação subterrânea.

Qual a diferença de custo entre fiação aérea e subterrânea?

Segundo o professor Edson Watanabe, o custo dos cabos subterrâneos pode ser de sete a dez vezes maior que o da linha aérea.

Fiação subterrânea elimina o risco de falta de energia?

Não. Apesar de proteger contra ventos, cabos subterrâneos podem ser afetados por inundações e furtos, como aponta Leandro Torres.

O que é um plano de contingência?

É um documento que lista ameaças potenciais, como vendavais e inundações, identifica pontos fracos e define medidas para evitar ou reduzir falhas.

Como pedir ressarcimento por prejuízos com a falta de energia?

O consumidor deve abrir protocolo junto à concessionária e, se necessário, buscar os canais oficiais de defesa do consumidor para registrar a reclamação.

Como pedir ressarcimento por prejuízos com a falta de energia El Niño e o impacto na rede elétrica Direitos do consumidor em caso de queda de energia

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