Justiça condena shopping paulista por discriminação racial; acordo de R$ 1 milhão
A Justiça homologou um acordo entre o MPSP e o Shopping Pátio Higienópolis, que pagará R$ 1 milhão ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente após um episódio de racismo contra um adolescente negro em abril de 2025. O shopping também assumiu obrigações de proteçã
Justiça condena shopping paulista por discriminação racial
A Justiça homologou um acordo firmado entre o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e o Shopping Pátio Higienópolis, condenando o empreendimento a pagar R$ 1 milhão ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. A ação civil pública foi ajuizada após um episódio de racismo contra um adolescente negro dentro do shopping, em abril de 2025.
O caso foi apurado a partir de inquérito civil conduzido pela Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude da Capital. O adolescente e um amigo, também negro, foram discriminados por uma funcionária terceirizada, integrante da equipe de segurança do centro comercial, localizado em um bairro nobre da cidade. A mulher perguntou se eles estavam pedindo dinheiro a uma outra estudante, branca. Os dois jovens à época estavam no ensino fundamental II e haviam acabado de sair de uma atividade que se propunha a debater o racismo.
O estudante discriminado era bolsista do Colégio Equipe. Uma semana após o caso, estudantes e professores da instituição realizaram um protesto no shopping.
O que prevê o acordo judicial contra o shopping
Além da indenização de R$ 1 milhão, o shopping assumiu obrigações voltadas à proteção integral a crianças e adolescentes frequentadores do local. O montante deve ser aplicado em iniciativas de enfrentamento da discriminação racial e de proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade.
Entre as obrigações, está a manutenção de um núcleo social formado por dois educadores coordenados por uma assistente social, com atuação todos os dias da semana. A determinação é que qualquer abordagem a crianças e adolescentes seja feita exclusivamente por integrantes desse núcleo, com foco no acolhimento e no encaminhamento à rede de proteção.
O acordo prevê ainda treinamento periódico dos colaboradores operacionais, ministrado por consultoria externa ao menos duas vezes por ano. Também está incluída a inclusão de cláusula antirracista nos contratos firmados pelo empreendimento, aprimoramento do canal de denúncias, com garantia de anonimato, e divulgação dos órgãos externos de proteção.
Evento anual e relatórios ao MP
O shopping se comprometeu a realizar anualmente um evento aberto ao público sobre respeito à diversidade e combate ao racismo. Além disso, deverá enviar relatórios semestrais ao Ministério Público. As obrigações têm vigência de três anos.
Caso não cumpra com todos os compromissos assumidos, o Shopping Pátio Higienópolis estará sujeito a multa, com aumento em caso de reincidência.
O que diz a Justiça e o MPSP
Segundo o MPSP, a Justiça considerou que o acordo prevê medidas concretas para prevenir novas violações e institui mecanismos de acompanhamento e fiscalização de seu cumprimento.
"A construção deste acordo pela via do diálogo revela a maturidade institucional que se espera do Ministério Público e a robustez do valor destinado ao Fundo Municipal assegura que o compromisso se traduza em políticas públicas efetivas e permanentes de proteção à infância e à juventude", afirmou a promotora de Justiça Florenci Cassab Milani.
Impacto e precedente
O caso, ocorrido em um shopping de bairro nobre de São Paulo, gerou repercussão e levou a um acordo que estabelece um modelo de reparação e prevenção. A exigência de treinamento antirracista e a criação de um núcleo social exclusivo para abordagem de crianças e adolescentes são medidas que vão além da punição financeira, buscando mudar a cultura institucional do empreendimento.
A multa por descumprimento, com aumento em caso de reincidência, funciona como garantia de que as obrigações serão cumpridas. O valor de R$ 1 milhão, destinado ao Fundo Municipal, reforça o caráter social da reparação.
Perguntas Frequentes
O que motivou a condenação do shopping?
Um episódio de racismo contra um adolescente negro, em abril de 2025, dentro do Shopping Pátio Higienópolis, onde uma funcionária terceirizada da segurança discriminou o jovem e seu amigo.
Qual o valor da indenização?
O shopping pagará R$ 1 milhão ao Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Quais as obrigações do shopping além da multa?
Manter núcleo social com educadores e assistente social, treinar colaboradores, incluir cláusula antirracista em contratos, realizar evento anual e enviar relatórios ao MP.
Por quanto tempo valem as obrigações?
As obrigações têm vigência de três anos.
O que acontece se o shopping descumprir o acordo?
Está sujeito a multa, com aumento em caso de reincidência.
Quem conduziu a investigação?
O inquérito civil foi conduzido pela Promotoria de Justiça da Infância e da Juventude da Capital, do MPSP.