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Viagem ou contas em dia? Férias exigem planejamento para evitar dívidas

ResumoO planejamento financeiro para férias exige equilíbrio entre lazer e contas em dia, especialmente com inflação elevada. Em São Luís, um professor cancelou viagem ao Chile para evitar dívidas. Especialistas recomendam orçamento detalhado e conhecimento dos direitos do consumidor para decisões conscientes.

Com inflação elevada e orçamento apertado, muitas famílias enfrentam o dilema entre viajar ou manter as contas em dia. Em São Luís, um professor cancelou uma viagem ao Chile para preservar o equilíbrio financeiro. Especialista orienta sobre planejamento e direitos do consumidor.

Fábio Drummond
Fábio Drummond Repórter de segurança e justiça · 20 de julho de 2026 · 5 min de leitura
Viagem ou contas em dia? Férias exigem planejamento para evitar dívidas

O ditado "quem não deve, não teme" ganha peso nas férias, quando o aumento de gastos com viagens, hospedagem e lazer pode levar ao endividamento. Em tempos de inflação elevada e orçamento apertado, a decisão entre viajar ou manter as contas em dia exige planejamento.

Planejar as férias financeiramente envolve avaliar o orçamento doméstico, evitar parcelamentos sem calcular o impacto futuro e priorizar contas essenciais. Em São Luís, a inflação acumulada em 2026 atingiu 4,37%, superando a média nacional. O cartão de crédito concentra 78,2% das dívidas das famílias, segundo a Fecomércio-MA.

O dilema entre viajar e manter as contas

O professor Carlos Henrique Silva, casado e pai de três adolescentes, morador de São Luís, cancelou uma viagem que havia planejado para o Chile durante as férias. A decisão foi tomada após colocar "tudo na ponta do lápis". "A vontade era viajar, principalmente porque as crianças estavam animadas. Mas percebemos que esse não era o momento. Se viajássemos agora, comprometeríamos o orçamento dos próximos meses. Preferimos adiar esse sonho e manter as contas em dia", conta.

A situação do professor reflete uma realidade enfrentada por muitas famílias maranhenses. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), da Fecomércio-MA, mostrou que o número de famílias endividadas em São Luís cresceu de 25,1% em janeiro para 28,8% em março de 2026, um aumento de 3,7 pontos percentuais. Segundo a entidade, isso indica mais pressão sobre o orçamento doméstico e uma tendência de crescimento da inadimplência.

Inflação em São Luís supera média nacional

Dados do IBGE mostram que São Luís passou a liderar o ranking nacional da inflação acumulada em 2026. No primeiro semestre, o IPCA da capital alcançou 4,37%, superando a média do Brasil, de 3,36%, e ultrapassando Aracaju (4,20%), que aparece na segunda posição. No acumulado dos últimos 12 meses, a inflação em São Luís avançou para 4,72%, acima do teto da meta inflacionária de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

Nesse ambiente, muitos consumidores recorrem ao cartão de crédito para manter o padrão de consumo. A pesquisa revela que 78,2% das dívidas das famílias estão concentradas no cartão de crédito, modalidade que também está entre as que cobram os juros mais elevados do mercado.

Lei do Superendividamento: o que diz

A professora do curso de Direito da Estácio, Clayrtha Gonçalves, especialista em Direito do Consumidor, explica que o planejamento financeiro é a principal ferramenta para evitar que momentos de lazer se transformem em dificuldades futuras. Ela lembra que a Lei nº 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento, alterou o Código de Defesa do Consumidor para prevenir situações em que as dívidas inviabilizam a manutenção da própria família. "A prevenção do superendividamento busca evitar que o consumidor, por causa das dívidas de consumo, fique impossibilitado de pagar suas contas e, ao mesmo tempo, garantir o mínimo necessário para a sua subsistência e de sua família", destaca.

Como avaliar contratos de crédito

Antes de assumir qualquer compromisso financeiro, Clayrtha orienta que o consumidor avalie cuidadosamente todas as condições do contrato. "Muitas vezes o consumidor enxerga apenas o valor mensal da parcela, mas é fundamental observar o custo total do contrato, as taxas de juros, multas e demais encargos previstos", alerta. Segundo ela, o crédito deve ser utilizado de forma consciente, considerando o impacto que aquela contratação terá no orçamento da família.

Educação financeira e fontes seguras

A especialista também chama a atenção para a importância da educação financeira e do acesso à informação de qualidade. "O consumidor precisa conhecer os seus direitos em fontes seguras. Nem toda informação divulgada nas redes sociais é completa ou correta. Além disso, a educação financeira deve fazer parte da rotina das famílias desde cedo", afirma.

Alternativas para quem já está endividado

Para quem já enfrenta dificuldades para pagar as contas, a legislação oferece alternativas. A professora explica que o consumidor pode buscar a renegociação das dívidas por meio de acordos realizados no Procon ou até recorrer à Justiça para apresentar um plano de pagamento. "O Código de Defesa do Consumidor garante mecanismos para refinanciar e reorganizar as dívidas, permitindo que o consumidor recupere o equilíbrio financeiro sem comprometer o mínimo necessário para viver com dignidade", ressalta.

Enquanto a próxima viagem não acontece, Carlos Henrique garante que a escolha foi a mais sensata. "As férias podem ser aproveitadas de várias formas. Vamos conhecer lugares aqui mesmo em São Luís, reunir a família e descansar. Viajar é bom, mas ter tranquilidade para pagar as contas quando as férias acabarem é ainda melhor", conclui.

Perguntas Frequentes

Como planejar financeiramente as férias?

Avalie o orçamento doméstico, evite parcelamentos sem calcular o impacto futuro e priorize contas essenciais. A especialista recomenda colocar tudo na ponta do lápis antes de decidir.

O que fazer se estiver com dívidas?

Busque a renegociação das dívidas por meio de acordos no Procon ou recorra à Justiça para apresentar um plano de pagamento, conforme garante o Código de Defesa do Consumidor.

Qual a taxa de inflação em São Luís em 2026?

O IPCA da capital alcançou 4,37% no primeiro semestre, superando a média nacional de 3,36%. No acumulado de 12 meses, foi a 4,72%, acima do teto da meta de 4,5%.

O que diz a Lei do Superendividamento?

A Lei nº 14.181/2021 alterou o Código de Defesa do Consumidor para prevenir que dívidas de consumo inviabilizem a subsistência do consumidor e de sua família.

Como evitar o uso excessivo do cartão de crédito?

Utilize o crédito de forma consciente, observando o custo total do contrato, taxas de juros, multas e encargos. A educação financeira desde cedo ajuda a evitar o endividamento.

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