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Até quando, meu Deus?

Atualizado: 21 de jun. de 2023



Mais uma vez somos sacudidos brutalmente por notícias de que marginais invadiram escolas para subtrair a vida de pessoas inocentes em momento de aprendizagem, de sagrada interação entre professor e aluno.


Primeiro foi uma escola de Ensino Fundamental, em São Paulo, “EE Thomázia Monteiro” onde um aluno entra na escola armado, assassina uma professora dentro de uma sala de aula, fere três outras professoras e um aluno. Foi detido e desarmado pela professora de Educação Física o que inibiu sua sanha assassina, que resultaria em outras tantas vítimas. Detido e levado à Delegacia presta depoimento e não mostra estar arrependido. Sendo menor de idade, será recolhido à Instituição Casa, por pouco tempo, e sairá de lá com ficha limpa porque a lei brasileira não reconhece a culpabilidade antes dos 18 anos. Ficará detido por pouco tempo, comparando-se à barbaridade que cometeu, mas, paradoxalmente, terá muito tempo para se qualificar na bandidagem.


A causa? Bullying. Que pena! Quem da minha geração não foi alvo de alguma gracinha negativa feita pelos mais saidinhos de nossas escolas? Quantos da minha geração se tornaram frios assassinos por que foram alvo de “gozação”?


E mais recente foi o atentado à Creche “Cantinho Bom Pastor”. Um rapaz de 25 anos, pula o muro da creche e munido de uma machadinha ataca crianças que estavam no parquinho da escola. Morrem 3 meninas e 1 menino e 4 outras ficam feridas.


Já expus, em outros momentos, que considero inadmissível qualquer violência dentro de uma escola. Um lugar onde se trabalha com o conhecimento, com o diálogo, com o bom exemplo, não cabe nenhum traço de maldade. Percebo que em nenhum outro momento se praticou tanto a empatia. Como não se colocar no lugar das mães que sabendo da tragédia para lá correram sem saber se encontrariam seus filhotes vivos ou não. A dor incomensurável de perder seu pequeno em um local a priori seguro, a priori cheio de amor e cuidado, a priori cuidado por funcionários de bom coração e boa índole. Faltam-me palavras para tentar consolar as mães que perderam seus filhinhos, faltam-me palavras para expressar toda a minha revolta em relação aos responsáveis por esse horror. Faltam-me palavras para conseguir orientar e amparar as crianças que presenciaram tal atrocidade por frequentarem a mesma escola.


E a motivação dessa barbárie? Nada que justifique tamanho absurdo! E a pena para esse bandido? Pena de morte? Não, morte lenta e dolorosa, para sofrer bastante e lembrar-se do que fez. Crime hediondo e cruel não merece complacência, não merece compreensão nem ser visto através das lentes que minimizam as tragédias.


Quanta dor, quanta estupefação, quanta revolta devem sufocar os corações das pobres mães, das professoras e funcionárias da escola. Que se faça a justiça dos homens e a de Deus!


Um questionamento me persegue desde as primeiras tragédias em escolas brasileiras, o que faz com que tais assassinos resolvam desencadear seus traumas, seu ódio, sua covardia, seus traços de crueldade em ambiente tão refratário ao mal? Seriam ditadas essas ações pela covardia e por isso escolhidas as escolas onde crianças e mulheres seriam alvo fácil? Seriam as crianças o alvo dessas mentes doentes, conforme suas mentes apodrecidas? Ou seriam as escolas o último símbolo de contenção da maldade, a última trincheira da educação, da cultura e dos bons costumes, o que incomodaria sobremaneira às almas mal formadas?


Saber que nos Estados Unidos crimes dessa natureza são muito comuns, fazem-me relacionar esta barbárie à modernidade, à tecnologia, à internet, à ausência de valores morais e fraternos, a uma sociedade carente dos mais ínfimos conceitos de convivência social.


Como prevenir tal crime? Colocar grades altas nas escolas, cadeados nos portões, policiais armados nos corredores das escolas, trancar portas e janelas das salas de aula, transformar as escolas em mini prisões?


Remetendo-me ao passado, posso dizer que assisti à transição de uma escola com muros baixos para uma escola com enormes muralhas, grades e cadeados. Tristíssimo!


Se necessário for enchermos as escolas de grades e de policiais, estaremos contrariando o Mestre Rubem Braga “Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas”. As escolas em que predominem as grades, fariam nossas crianças desaprenderem de voar e aí então a tristeza e o desânimo tomariam conta da humanidade, porque então deixaríamos de sonhar!


(*) Aldora Maia Veríssimo - Presidente da AVL

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