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Campanha política?

Atualizado: 20 de jun. de 2023



Em tempos passados, sempre que se avizinhava uma época de campanha política, usando elementos da Semiótica, orientava meus alunos a observarem: inflexão de voz, visual do candidato, cores utilizadas no cenário da fala na TV e nos “santinhos” que sujavam nossas ruas, que estabelecessem vínculos entre o que era falado e os fatos reais, que observassem a lógica ou ilógica das promessas, que conhecessem o passado dos candidatos, enfim, que analisassem friamente as propostas para então fazerem uma escolha consciente.


E o tempo passou. E então nada do que orientei tem valia. Atualmente, a campanha política se revestiu de tal imoralidade que quase nada do que se vê ou se ouve merece crédito ou comporta uma análise séria. Já nem se tenta mais ludibriar com meias palavras, nem mais se douram as pílulas; o que vemos, na maioria dos casos é uma enxurrada de mentiras deslavadas, meias verdades, frases descontextualizadas, dados estatísticos distorcidos, atitudes alardeadas com o maior descaramento: eu já fiz, eu sei resolver, eu sei como fazer, conheço os problemas do Brasil: educação, saúde, segurança… Todos sabem, todos já fizeram e o Brasil continua cada vez pior. Falácias  que ouvimos há décadas e décadas e nada se faz.


Atitudes que contrariam os mínimos preceitos da decência são vistas em vídeos e imagens veiculadas nas redes sociais como se fossem manifestações políticas em prol deste ou daquele candidato. Um exagero de “é um direito meu” e quase nunca “um dever de todos”. Esse pode porque… Esse não pode  porque…


Um ódio crescente toma conta dos corações mais passionais e um temor indecifrável assusta os mais plácidos. Parece que não interessa a ninguém as dificuldades pelas quais o Brasil vem passando há décadas. O que vale é atacar, desqualificar, criar factoides, replicar, indefinidamente, absurdos pelas redes sociais. Amizades estão sendo comprometidas como se o “meu palpite” ou a “minha torcida” realmente fossem garantir um bom governo.


Com esse cenário, a preocupação está cada vez maior; seja quem vencer a eleição para Presidente, existe o perigo de que, ato contínuo, se cometam arroubos de insensatez disfarçados de atitudes salvadoras. A situação do Brasil está tão caótica que necessitamos de um “milagre nacional” para que possamos continuar vivendo minimamente em paz.

É um desfile fascinante dos problemas brasileiros que todos os candidatos conhecem muito bem. Repetidos à exaustão, mas sem apontar nenhuma solução. Há desemprego? Como assim? Criamos 10 milhões de empregos em nosso governo. Escolas? Todas serão de tempo integral. É a melhor solução? Por que ainda ninguém fez? Desvios de dinheiro? Propina? Contas no exterior? Invenção da mídia e do MP. Interesses escusos? No meu partido não! A vida política pregressa não interessa, o que interessa e muito é a vida particular, miudezas, gestos e falas no calor de momentos específicos, aos quais qualquer pessoa está sujeita. Partidos políticos sem ideologia, dirigidos pela lei do “quem paga mais eu apoio”. Partidos nanicos cuja existência só serve como moeda de troca. Caciques da política que mamam nas tetas do governo há tempos imemoráveis, lutam pela permanência no poder (e, pasmem, se reelegem!) e já promovem a iniciação dos filhotes da ilegalidade.


Artistas famosos que em nenhum momento contribuíram com algo substancial para a cultura brasileira investem-se de uma aura de liderança, com fisionomias austeras, repetindo frases feitas, acreditando que as senhorinhas que assistem TV no final do dia sejam influenciadas por seus belos olhos ou sua atuação na novela das nove. Mulheres que a despeito de se posicionarem contra este ou aquele candidato, protestam nuas, escrevem e desenham nos próprios corpos suas convicções. Mas o corpo é meu! Mas os olhos são nossos! E quem disse que elas nos representam? Pelo contrário, elas envergonham qualquer mulher minimamente batalhadora.


A ideologia de gênero que forçosamente quer se impor nas escolas, desde a mais tenra idade, que afronta o pátrio poder de decisão de pais e mães de construírem a formação de seus filhos dentro do que consideram correto, é usada como característica de modernidade, de liberdades individuais e como campanha política.


Shows de horror onde se proferem impropérios contra toda e qualquer crença religiosa, xingamentos de baixíssimo calão, enaltecimento das diversas minorias como se essas condições precisem, para serem felizes, afrontar e ofender desmedidamente quem se posiciona de maneira diferente. A polarização e o fanatismo cegam até os mais inteligentes. E assim caminha o Brasil, onde a tentativa de morte contra um dos candidatos foi “aplaudida’ pelos adversários e onde o comando de campanha emanando de dentro de uma cela (nos moldes das facções criminosas) não causa espanto à maioria das pessoas. Comentários ridículos, atitudes deploráveis, inverdades monstruosas, jogos de palavras e comportamentos asquerosos. Essa é a cara da campanha política que estamos presenciando.


Enfim… Que país é este? Que futuro nos aguarda? Até quando o povo brasileiro suportará tantos desmandos e descaso dos políticos brasileiros?


Baseando-me nos Modernistas de 1922, posso dizer com convicção: “Não sei exatamente o que virá, mas sei exatamente o que não quero que se repita!”


(*) Aldora Maia Veríssimo – AVL – Cadeira nº 04

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