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O dia dos Namorados

Atualizado: 21 de jun.



O Dia dos Namorados, em alguns países é chamado de Dia de São Valentim, uma data comemorativa na qual se celebra o amor entre casais. Em alguns lugares demonstra-se, também, afeição entre amigos, sendo comum a troca de cartões e presentes. Em Portugal e em Angola, e em muitos outros países, comemora-se no dia 14 de Fevereiro.


No Brasil, a data é comemorada no dia 12 de junho, véspera do dia de Santo Antônio de Lisboa, conhecido pela fama de “Santo Casamenteiro”. Essa data foi criada pelo publicitário João Doria (o pai). Doria trouxe a ideia do exterior e a apresentou aos comerciantes paulistas, iniciando em junho de 1949 uma campanha com o slogan “Não é só com beijos que se prova o amor”. A ideia se expandiu pelo Brasil, e é utilizada para incentivar a troca de presentes entre os apaixonados.


Em tempos de eu adolescente, tive comemorações memoráveis no dia dos namorados, desde uma rosa roubada no jardim da vizinha, até um anelzinho de pedra transparente simulando um “diamante”, passando por uma ida à sorveteria com direito a sorvete de casquinha sabidamente o mais caro.


Houve comemorações com o primeiro beijo na boca, com a primeira rusga, com um elogio incomum, com cartas apaixonadas quando namorei à distância, enfim, como era bom comemorar o dia dos namorados, mesmo que às demais pessoas  pudesse parecer muito simples, para mim e meu namorado era absurdamente agradável e emocionante. Renovávamos nossos sentimentos. Nunca fui afeita a presentes caros, valorizava mais a lembrança e a espera do momento do encontro e da troca de mimos.


Neste ano, talvez pela inércia que a pandemia me impôs, prestei atenção às mensagens nas redes sociais. Pareceu-me ver, preponderantemente, mensagens produzidas por mulheres. Apregoam amor eterno, enaltecem a parceria com o companheiro, destacam as qualidades da cara metade, referem-se a momentos inesquecíveis já vivenciados, enfim, só aspectos positivos. Me pergunto onde estariam as mensagens dos homens para suas amadas? São tímidos? Não valorizam essa exposição? Não acham necessário expor publicamente o que sentem? Sentem mesmo?


Evidencia-se, mais uma vez, a diferença entre homens e mulheres. Elas, ansiosas por serem amadas e assumidas e eles “desapegados” e provavelmente despreocupados com os melindres femininos. E ambos, homens e mulheres, sendo atropelados pelas campanhas promocionais dos meios de comunicação e pelo visgo do consumismo.


Vi, também, várias postagens de casais mais enamorados “do que sonha nossa vã filosofia” e do que prova a mesmice tóxica do passar dos dias. Mas, já li que “quem realmente é feliz na vida real não tem tempo nem necessidade de fazer postagens na vida virtual” que tornem público o que não interessa ao público.


Isso é a vida. Isso é o que temos para hoje!


Bom seria que todas as mulheres pudessem ser amadas e valorizadas por seus parceiros, que, de quebra pudessem ter sensibilidade para não magoá-las, para respeitá-las, para apoiá-las, para caminhar com elas de mãos dadas na construção de uma vida compartilhada e minimamente feliz.


Se assim fosse, não seriam necessárias datas comemorativas, não seriam necessárias postagens que servissem de cortina de fumaça, pois então a vida a dois seria, não um “mar de rosas” mas uma “vida comum” em que ambos possam opinar, possam ser ouvidos, possam ser considerados como seres humanos merecedores de privilégios iguais, trilhando um caminho com altos e baixos, com reveses e recompensas, sem maniqueísmos, sem logros, sem falcatruas, sem maldade, sem violência de qualquer espécie.


“Partilhar sonhos, experiências e aprendizados; crescer e amadurecer com você todos os dias. Isso é amor!” (Autor anônimo)


(*) Aldora Maia Veríssimo – Presidente da AVL

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