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O que somos e o que queremos


Ultimamente, talvez pela idade, tenho pensado muito sobre a existência, sobre a vida que tenho tido, o que tenho realizado e qual é meu proposito para o amanhã. Incrível como agora as coisas parecem muito mais claras e verossímeis. No passado, na juventude, o entusiasmo nos movia e acreditávamos que éramos invencíveis e conseguiríamos atingir todos nossos objetivos. Tenho absoluta certeza de que com você isto também aconteceu e, quando olho para os adolescentes e jovens de agora, sinto que este sentimento é o que domina suas vidas. Evidentemente esta “mola” propulsionou nossa vida, nos fez lutar pelo nosso espaço, pelo nosso trabalho, pela constituição de nossa família, objetivo com certeza de todos e, apesar das dificuldades que para muitos foram imensas e que ocorreram para todos, de alguma forma chegamos lá. E isto nos dá a sensação inequívoca de que nossas metas foram cumpridas. A vida, apesar de tudo, acreditamos, valeu a pena! Sim, com certeza! De alguma forma pela dedicação, pelo trabalho e pela coragem de enfrentar as adversidades que foram tantas no íntimo acreditamos que somos vencedores. E somos! Constituimos famílias, vimos os filhos crescerem e os netos chegarem, granjeamos amigos que são fieis companheiros nesta jornada e escrevemos nossa historia que ficará eternamente gravada no coração daqueles que nos amam e nas páginas da historia de nossa terra e de nossa gente. A humilde senhora que vende o pão caseiro na calçada, o comerciante que vende seu produto com denodo, o policial que nos transmite a segurança, o pedreiro que constrói nossa morada, o médico que salva nossas vidas, todos, são fundamentais à vida citadina, à nossa vida.


Passamos há pouco tempo pela tragédia de uma pandemia que assolou o mundo e, de forma cabal, nos mostrou como somos frágeis e como nossa vida é efêmera... Perdemos amigos, irmãos, companheiros e milhares de pessoas que, embora desconhecidas, de alguma forma faziam parte de nossas vidas. Sobrevivemos. Mas por certo, isto deve ter deixado em nosso âmago o sentimento que nada somos e nos impele a pensar no que propomos para nosso amanhã. Então, agora que compreendemos que os valores fundamentais de nossas vidas são o amor, a caridade, o sentimento de justiça, a lealdade com o próximo, o trabalho, agora que sentimos que o egoísmo, a insensatez, a maldade, a hipocrisia e o orgulho não podem nos levar a nada, são apenas migalhas que desaparecem pela força de um vírus microscópico, talvez possamos ver que ainda temos muito o que fazer : nos aproximar muito das pessoas, procurar transmitir a elas nosso amor e nossa fraternidade, estender a mão aos mais necessitados e, principalmente, nos aproximarmos cada vez mais de Deus, beber a água limpa de Sua palavra e ter a mais absoluta certeza de que só ELE pode nos dar a vida eterna!


(*) O autor é médico e membro da Academia Venceslauense de Letras

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